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França apresenta plano de investimentos de 26 bilhões

Conjunto de medidas produzirá crescimento de 0,8% em 2009 e elevará o déficit público do país em 4% do PIB

Andrei Netto, PARIS, O Estadao de S.Paulo

05 de dezembro de 2008 | 00h00

O governo da França voltou ontem a lançar mão das despesas públicas para combater a ameaça de recessão. O novo programa, contribuição do país para o Plano Europeu de Relançamento, anunciado em Bruxelas há dez dias, prevê 26 bilhões em investimentos de infra-estrutura e incentivos fiscais a pequenas, médias e grandes empresas, além de auxílio direto a trabalhadores desempregados.Elaborado dentro das recomendações da Comissão Européia, o pacote foi anunciado ontem, em Douai, norte da França, pelo presidente Nicolas Sarkozy. Em linhas gerais, os recursos serão divididos em duas frentes: supressão de impostos e investimentos em infra-estrutura. Às isenções fiscais serão destinados 10,5 bilhões. Destes, 2 bilhões irão para a exoneração de taxas sobre a folha de pagamento de pequenas e médias empresas. Somam-se ainda no pacote 11,5 bilhões para obras públicas em setores como energia, transportes, defesa e educação superior. Mais 4 bilhões irão para a indústria automobilística e para a construção civil. O governo planeja, entre outras medidas, oferecer linhas de financiamento com juro zero para quem comprar imóveis novos - desde que equipados com sistemas de baixo consumo de energia - e incentivar a aquisição de carros novos. Entre os exemplos de fomento ao consumo estão o prêmio de 1 mil a quem vender o carro ao ferro-velho.As projeções do Ministério da Economia indicam que o conjunto de medidas produzirá crescimento de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2009. O efeito colateral será o aprofundamento do déficit público, que crescerá 15,5 bilhões, quase 4% do PIB - acima do limite estabelecido pela União Européia no Tratado de Maastricht, que regula o equilíbrio financeiro dos países-membros do bloco.Sarkozy não pareceu preocupado com o tema. Em seu discurso a líderes políticos, o presidente não se intimidou com o risco de críticas quanto a enfrentar a recessão com endividamento público. "Eu assumo minha responsabilidade. Não temos escolha. Não fazer nada nos custaria muito mais caro, assim como custaria muito se não tivéssemos socorrido os bancos", defendeu-se. Segundo Sarkozy, se os Estados não intervierem, a Europa viverá uma onda de demissões e falências. O presidente ressaltou, contudo, que as medidas têm validade temporária, até 2010, e serão seguidas de um programa de reequilíbrio do orçamento público - atendendo a uma exigência de Bruxelas. Sarkozy antecipou que o futuro reajuste das finanças virá acompanhado de cortes no custeio da máquina estatal, em especial em relação ao número de funcionários públicos. "Queremos um Estado eficiente, empreendedor, desburocratizado e leve em suas estruturas", descreveu.O plano europeu, de 200 bilhões, vem sendo preenchido com recursos nacionais. Assim como a França, Reino Unido, Espanha e Polônia já anunciaram medidas anti-recessão.FRASESNicolas SarkozyPresidente da França"Eu assumo minha responsabilidade. Não temos escolha. Não fazer nada nos custaria muito mais caro, assim como custaria muitose não tivéssemos socorrido os bancos""Queremos um Estado eficiente, empreendedor, desburocratizado e leve em suas estruturas"

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