França aumenta pressão por regulação de commodities no G-20

Ao liderar o G-20 neste ano, o presidente do país, Nicolas Sarkozy, colocou o tema da disparada dos alimentos e da energia em posição central da agenda

Daniela Milanese, da Agência Estado,

27 de janeiro de 2011 | 15h38

A França aumentou a pressão por maior regulação no mercado de commodities. Ao liderar o G-20 neste ano, o presidente do país, Nicolas Sarkozy, colocou o tema da disparada dos alimentos e da energia em posição central da agenda. As primeiras discussões acontecem em 18 e 19 de fevereiro, na reunião de ministros de Finanças e presidente de bancos centrais do G-20, em Paris.

Depois de ter anunciado a agenda na semana passada, Sarkozy voltou ao tema hoje, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. Ele disse que a questão não é impedir que países produtores de alimentos, como o Brasil, se beneficiem da alta dos preços. "O que estou dizendo é: ei, tenha cuidado, se há um aumento exponencial dos preços, geralmente há uma queda exponencial dos preços (posteriormente)", afirmou durante discurso.

Ele defende um aperto regulatório no mercado de commodities para conter a especulação com alimentos e energia. "Precisamos de regulação porque isso significa transparência."

Sarkozy citou o movimento no mercado de cacau no ano passado como exemplo de situação inaceitável. A tonelada do cacau disparou para a maior cotação desde 1977 em julho de 2010, quando o fundo de hedge Armajaro Holdings comprou quase todo o cacau disponível no mercado europeu.

O tema pode gerar controvérsia com os países produtores que se beneficiam da alta das matérias-primas, até porque a França mantém subsídios a seus agricultores que desagradam os países em desenvolvimento. "Vai ser um jogo de forças", acredita o presidente da Embraer, Frederico Curado. "O Brasil tem todo o direito de defender sua posição, não podemos perder esse bom momento."

Para ele, sem o benefício das commodities, a crise no País teria sido mais grave. Em contrapartida, Curado não deixa de alertar para a possibilidade de desequilíbrio na balança comercial brasileira em razão do déficit dos produtos manufaturados versus o superávit dos produtos básicos.

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