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França defende no G-20 metas para cada país

Franceses defendem a criação de indicadores de desequilíbrio macroeconômico

Andrei Neto, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2011 | 00h00

Anfitrião do G-20 ministerial, o governo da França vai se contentar se conseguir selar até amanhã "acordo de princípios" para a criação de indicadores de desequilíbrio macroeconômicos - a prioridade número 1 do evento. Ontem, negociadores de diferentes países advertiram para a dificuldade de que um consenso seja costurado até o final de semana. França e Alemanha concordam, mas os Estados Unidos não teriam pressa para firmar o compromisso.

Desde a quarta-feira, negociadores franceses e alemães acertaram uma proposta comum que incluiria cinco critérios nos indicadores: saldo de contas correntes, taxas de câmbio reais, reservas de câmbio, déficit e dívida pública e poupança privada. Ontem, ao término da conferência do Instituto Internacional de Finanças (IIF), a ministra da Economia da França, Christine Lagarde, reafirmou a prioridade. "Nós teremos dado um grande passo à frente se chegarmos a um acordo de princípios sobre os elementos que nos permitem medir os desequilíbrios", afirmou.

Uma das dificuldades da negociação é o receio de cada país, em especial da China, dos Estados Unidos e também da Alemanha, de ser acusado de responsável por parte dos desequilíbrios. "É um tema que é objeto de um debate intenso neste momento e que o será nos próximos dias, porque alguns países não querem ser identificados como responsáveis por esta ou aquela política", disse Lagarde. "Tentemos antes de mais nada um acordo sobre os indicadores. A seguir, será o momento de passar os países na peneira, tomando cuidado para não estigmatizar os maus alunos."

Ontem mesmo, porém, a Secretaria do Tesouro dos EUA que não existe necessidade de firmar o acordo em Paris. Em meias palavras, os americanos divergem da prioridade francesa. Washington argumenta que o G-20 de Seul, da Coreia do Sul, realizado em novembro, concordou que os indicadores devam ser definidos até o fim do primeiro semestre de 2011 pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Desconfianças. Outro objeto de esforço diplomático do Palácio do Eliseu é reduzir as desconfianças internacionais sobre as propostas da França. Para isso, o governo francês pisa em ovos a cada declaração. Nas negociações sobre a reforma do sistema monetário internacional (SMI), por exemplo, a dificuldade é expor a insatisfação dos países do Ocidente em relação à subvalorização do yuan em relação ao euro e ao dólar e ao câmbio dirigido do Banco Central da China sem, entretanto, minar a capacidade de diálogo com os chineses.

À rádio France Info, Lagarde fez críticas à autoridade monetária chinesa, mas ao mesmo tempo elogiou o potencial do yuan como uma das divisas de referência global. "É preciso que o yuan não seja tão administrado como o é e que ela seja também uma moeda internacional, conversível e flutuante como são a maior parte das moedas dos países desenvolvidos."

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