carteira

As ações mais recomendadas para dezembro, segundo 10 corretoras

França diz ter apoio chinês para Christine

Porta-voz francês confirmou pela primeira vez que existe consenso europeu no FMI

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / PARIS

Na véspera da chegada dos chefes de Estado e de governo do G-8 a Paris, a França abriu ontem sua campanha em favor da nomeação de Christine Lagarde à direção-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Segundo o porta-voz do Palácio do Eliseu, François Baroin, o nome da ministra francesa das Finanças é "consensual" na Europa e teria o apoio da China. Ontem, o presidente Nicolas Sarkozy iniciou uma rodada de encontros bilaterais nos quais defende o nome de sua indicada.

As "inconfidências" de Baroin foram feitas na manhã de ontem, em entrevista à rádio Europe e romperam a discrição com que o Eliseu tratava o tema até aqui. No fim da tarde, Christine marcou para a manhã de hoje uma coletiva onde, provavelmente, deve anunciar oficialmente sua cadidatura ao FMI.

Segundo o porta-voz, também ministro do Orçamento e favorito para substituir Christine nas Finanças, o nome da executiva francesa é "um consenso europeu". "O que está se desenhando é um consenso europeu, o que é importante", afirmou, lembrando que a União Europeia (UE) atravessa a crise das dívidas soberanas da Grécia, da Irlanda e de Portugal.

Baroin disse desconhecer a posição dos Estados Unidos e de seu presidente, Barack Obama. Mas assegurou que o maior país emergente do mundo, a China, está do lado de Christine. "Se um francês ou uma francesa pode, por sua competência, definir um consenso europeu, apoiado pelos chineses e, eventualmente, pelos americanos, nós temos de nos felicitar", disse, reiterando que o Palácio do Eliseu tenta evitar a impressão de que a escolha seja imposta.

Apesar do discurso de campanha, Baroin afirmou que "ainda é muito cedo para dizer" se Christine Lagarde será candidata. O prazo de inscrição, já aberto, se encerra em 10 de junho. Por coincidência, no mesmo dia, a Corte de Justiça da República (CJR) vai decidir se abre ou não uma investigação formal contra a ministra, suspeita de ter beneficiado o milionário Bernard Tapie, ex-proprietário da Adidas, com um acordo sobre uma indenização de ? 385 milhões, paga em 2010 pelo banco Crédit Lyonnais. Conforme Baroin, o governo francês "não está inquieto por esse caso".

Pequim e o G-8. Consultado em Pequim, o Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que não comentaria as declarações do porta-voz francês. Na semana passada, o presidente do Banco Central da China, Zhou Xiaochuan, defendeu uma maior representatividade dos países emergentes na direção do Fundo, sem falar especificamente sobre o cargo de diretor-gerente. Na segunda-feira, o presidente do Banco Central do México, Augustin Carstens, lançou sua candidatura ao posto de Dominique Strauss-Kahn no FMI.

Além de convencer a China, Sarkozy começou ontem uma rodada de encontros bilaterais com líderes políticos do G-8. À tarde, foi a vez do primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan.

As reuniões prosseguirão em Deauville, no litoral atlântico da França, onde começa amanhã a reunião de cúpula do G-8, com a presença dos líderes dos Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália e Rússia, além dos anfitriões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.