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França e Alemanha lançam 'New Deal' por emprego

Fundo de € 6 bi previstos para investimentos será usado para enfrentar falta de trabalho

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS , O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2013 | 02h06

França e Alemanha lançaram ontem um programa de € 6 bilhões contra o desemprego de jovens adultos na Europa. A Iniciativa Europeia pelo Crescimento e pelo Emprego, apelidado de "New Deal" para a juventude, se baseia em medidas de aumento do crédito a micro, pequenas e médias empresas (PMEs), aumento do número de postos de aprendizagem e incentivo à mobilidade dos jovens em busca de trabalho dentre do território nacional e na Europa. O desemprego entre menores de 25 anos supera 55% em países como Grécia e Espanha.

O acordo franco-alemão vinha sendo negociado nas últimas semanas e é o primeiro desde os desentendimentos recentes entre o presidente da França, François Hollande, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, sobre a política de austeridade fiscal. O compromisso também representa uma concessão por parte de Berlim, que admitiu abrir os cofres de Bruxelas para estimular a geração de empregos nos países mais afetados pela crise.

Para tanto, Bruxelas contará com € 6 milhões em investimentos entre 2013 e 2015, mas também com parte dos recursos dos fundos estruturais, que hoje dispõem de € 16 bilhões.

O acordo foi assinado no Palácio do Eliseu com a presença dos ministros de Finanças dos dois países, Pierre Moscovici e Wolfgang Schaeuble, além de ministros de áreas sociais. "Nós devemos agir com urgência, porque 6 milhões de jovens estão desempregados na Europa", afirmou Hollande. "Cerca de 14 milhões estão sem trabalho, não estão estudando e não estão em cargos de aprendiz." Se na Alemanha o desemprego entre jovens de até 25 anos não é um problema, por envolver apenas 8% dessa população, na França o porcentual sobe para 25% e beira os 60% na Grécia.

Programa. O acordo prevê três pilares: a criação de créditos às PMEs que empregarem jovens, o desenvolvimento de programas de "aprendizagem" - trabalhos de baixa remuneração destinados ao primeiro emprego - e o incentivo aos programas de intercâmbio na Europa, agora também no mercado de trabalho e não apenas nas universidades. "As PMEs são a espinha dorsal de nossas economias, mas precisam de capital e só têm acesso a uma taxa exorbitante", explicou a ministra do Trabalho da Alemanha, Ursula von der Leyen.

Um dos objetivos do Palácio do Eliseu e de outros governos europeus é recuperar o atraso em relação ao programa de aprendizagem da Alemanha, tido como um exemplo para o continente. "Nós temos um atraso considerável, e é evidente que por isso o desemprego é mais baixo na Alemanha", reconheceu Michel Sapin, ministro francês do Trabalho.

Segundo os ministros, a ideia é que o Parlamento Europeu libere outros € 16 bilhões dos fundos estruturais para os programas de estímulo ao trabalho. A negociação para liberação desses recursos deve ser feita em junho em cúpula da UE.

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