França eleva imposto de empresas e de ricos

Plano para reduzir déficit prevê imposto para pessoas físicas de 75% sobre as receitas acima de 1 milhão e de 45% para acima de 150 mil

PARIS, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2012 | 03h07

O governo socialista do presidente francês François Hollande anunciou ontem fortes aumentos de impostos para empresas e ricos, num orçamento para 2013 cujo objetivo é mostrar que a França tem o rigor fiscal para continuar no núcleo da zona do euro.

O pacote vai recuperar 30 bilhões para os cofres públicos, com a meta de estreitar o déficit para 3% da produção nacional do ano que vem em relação aos 4,5% este ano - o aperto fiscal mais duro da França em 30 anos.

Dos 30 bilhões em economias, aproximadamente 20 bilhões virão de aumentos de impostos para famílias e empresas. O congelamento nos gastos vai contribuir com aproximadamente 10 bilhões.

O governo confirmou um taxa temporária de 75% para receitas acima de 1 milhão e uma nova taxa de 45% para receitas acima de 150 mil. Juntas, essas duas medidas renderão cerca de meio bilhão de euros. Taxas mais altas sobre dividendos e outros investimentos, mais reduções em isenções fiscais garantirão mais alguns bilhões.

Mas, com desemprego recorde e uma série de dados apontando para estagnação da economia, há temores de que a meta de déficit não será atingida, já que a França está aquém da modesta taxa de crescimento de 0,8% que espera para o ano que vem.

O orçamento também vai decepcionar lobistas pró-reforma ao apenas congelar o alto gasto público da França, em vez de ousar atacar orçamentos ministeriais, como a Espanha fez numa tentativa de evitar as condições de um resgate internacional.

"Esse é um orçamento de combate para colocar o país de volta nos trilhos", disse o primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault, acrescentando que a meta de crescimento de 0,8% é "realista e ambiciosa". "É um orçamento que busca trazer a confiança de volta e romper essa espiral de dívida, que fica cada vez maior."

Com a dívida num recorde pós-guerra de 91% do PIB, o orçamento é vital para a credibilidade da França, não apenas entre os parceiros da zona do euro mas também nos mercados. / REUTERS

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