França investirá 35 bilhões de euros na economia

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, confirmou hoje que seu governo lançará um programa de investimentos de 35 bilhões de euros (US$ 51,27 bilhões). O objetivo é fortalecer o crescimento econômico no médio prazo. "Este não é outro plano de estímulo", afirmou. "Estes recursos não financiarão o gasto atual, mas apenas investimentos que tornarão o país mais rico."

GABRIEL BUENO, Agencia Estado

14 de dezembro de 2009 | 12h29

Segundo Sarkozy, o governo levantará 22 bilhões de euros no mercado financeiro. Os 13 bilhões de euros restantes virão do dinheiro público devolvido pelos bancos, proveniente de um auxílio anterior do governo às instituições.

No mês passado, Sarkozy recebeu sugestões para o programa de uma comissão liderada pelos ex-primeiros-ministros Michel Rocard e Alain Juppé. Eles recomendaram que metade do valor do dinheiro seja investido em educação e pesquisa e desenvolvimento. Seguindo as recomendações, o governo deve destinar 19 bilhões de euros para educação, pesquisa e desenvolvimento. Outros 6,5 bilhões de euros irão para projetos industriais, enquanto o restante será aplicado no fortalecimento da indústria digital do país e no desenvolvimento de fontes de energia renovável.

O plano de investimentos deve gerar mais 25 bilhões de euros (US$ 36,62 bilhões) em investimentos do setor privado. Com isso, o valor total da iniciativa deve chegar a 60 bilhões de euros (US$ 87,9 bilhões), segundo o presidente. Sarkozy disse ainda que o plano não deve afetar as finanças públicas da França. Sua contabilidade será feita de modo separado do orçamento do governo, por uma comissão especialmente nomeada para esse fim. Já os juros sobre os fundos emprestados serão pagos no âmbito do atual orçamento.

Em janeiro, o governo irá estabelecer uma nova comissão que discutirá propostas para melhorar o gerenciamento da dívida pública do país. Sarkozy não descartou que a França possa seguir o mesmo caminho adotado pela Alemanha, que introduziu uma obrigação legal para manter um orçamento equilibrado.

Atualmente, o gasto público da França está em 52% do Produto Interno Bruto (PIB). Esta é a relação mais alta entre os membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em grande parte, esse dinheiro é utilizado para financiar despesas correntes, incluindo salários de funcionários públicos e juros da dívida. Com isso, sobra pouco para o financiamento de projetos de larga escala, como trens rápidos e geradores de energia nuclear. No passado, esses projetos dependeram fortemente de financiamento do governo, mas ultimamente passaram para a iniciativa privada.

"O financiamento não aumentará os gastos correntes", complementou o ministro do Orçamento, Eric Woerth, presente ao anúncio. O orçamento francês foi afetado pela crise, com o aumento de gastos para fortalecer a economia, enquanto a renda está em baixa, como consequência da atividade ainda vacilante. O déficit do país deve subir de 77,1% do PIB neste ano para 91% em 2013, segundo previsão da OCDE.

O presidente francês disse ainda que o governo não venderá mais ações da Électricité de France para financiar seus projetos no setor educacional - como já fez no passado - por causa das condições do mercado. As informações são da Dow Jones.

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