França muda discurso sobre os eurobônus

A União Europeia não vai poder contar com a mutualização das dívidas futuras de cada um de seus países para enfrentar a crise. O primeiro-ministro da França, Jean-Marc Ayrault, anunciou em entrevista ao jornal alemão Die Zeit que a criação de eurobônus (obrigações soberanas comuns da zona do euro), só será realidade "em vários anos". Na prática, a medida vai para o rol de alternativas vetadas pela chanceler alemã, Angela Merkel, para enfrentar a crise.

PARIS, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2012 | 03h08

O premiê não abriu mão de discutir a criação dos eurobônus, mas como instrumento futuro. "Eu desejo que nós falemos de eurobônus em Bruxelas como perspectiva", disse. "O sistema de mutualização da dívida exige maior integração política. Isso vai levar vários anos. No entanto, sem esperar, é preciso agir."

A criação das obrigações, que exigiriam um Tesouro Europeu, é uma das soluções mais citadas por economistas para solucionar a crise das dívidas. Os eurobônus acabariam com a especulação financeira sobre a dívida de um ou outro país, como ocorre hoje com Grécia, Espanha e Itália, pois toda a dívida dos membros da UE seria mutualizada e garantida por todos os governos. O novo discurso de Ayrault indica que a França perdeu a batalha contra a Alemanha de Merkel, que desde 2011 bloqueia a iniciativa./ A.N.

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