Yoan ValatV/EFE
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França obrigará que anúncios de veículos incentivem caminhadas e uso de transporte alternativo

Medidas semelhantes já estão em vigor na França para publicidades de alimentos, que orientam os consumidores franceses a reduzir o consumo de junk food e comer mais frutas e vegetais

Claire Parker, The Washington Post

11 de janeiro de 2022 | 10h00

Os anúncios dos lançamentos da Peugeot ou da Renault na França, em breve, terão uma observação incentivando as pessoas a caminharem ou usarem uma bicicleta em vez dos veículos.

De acordo com uma nova regulamentação prevista para entrar em vigor em março no país europeu, as montadoras serão obrigadas a incluir mensagens nos anúncios de automóveis que encorajem aqueles que a visualizem a buscar alternativas de deslocamento mais sustentáveis.

Segundo a regra publicada no Diário Oficial da França, as fabricantes de veículos poderão escolher uma das seguintes três opções de mensagens: “Considere pegar uma carona”, “Para pequenos trajetos, opte por caminhar ou ir de bicicleta” ou “Use o transporte público nos deslocamentos do dia a dia”. No final da mensagem, os anunciantes devem incluir a hashtag “#SeDéplacerMoinsPolluer” (Movimente-se poluindo menos, em tradução livre).

A exigência vale para anúncios veiculados em rádio, televisão, nos cinemas, na Internet e em outdoors digitais, assim como para as publicidades impressas. Caso os anunciantes não a sigam, eles poderão receber multas de até US$ 56 mil.

Medidas semelhantes já estão em vigor na França para publicidades de alimentos, que orientam os consumidores franceses a reduzir o consumo de junk food e comer mais frutas e vegetais.

Em vários países, as propagandas de cigarros geralmente exibem advertências de que fumar pode causar câncer e morte – mas, na França, elas são totalmente proibidas. O país começou a exigir que as embalagens de cigarros seguissem um padrão sem chamativos em 2016. (As regulamentações sobre publicidade são particularmente permissivas nos Estados Unidos, um dos poucos países a permitir que as empresas farmacêuticas veiculem anúncios tendo como alvo os consumidores.)

A decisão da França é resultado de anos de lobby de grupos ambientalistas, que solicitavam a proibição dos anúncios de automóveis. De 1º de março em diante, as montadoras também devem incluir o grau de emissão de dióxido de carbono de um veículo nas publicidades, informou o jornal francês Le Monde.

As propagandas dos automóveis mais poluentes serão proibidas a partir de 2028.

“Reduzir a emissão de carbono no transporte não significa apenas mudar para o motor elétrico. Também é usar transporte público ou a bicicleta quando for possível”, escreveu a ministra da Transição Ecológica da França, Barbara Pompili, no Twitter, na semana passada, ao comentar a respeito das novas regras de publicidade.

As medidas surgem enquanto a França intensifica os esforços para combater as mudanças climáticas. O Alto Conselho para o Clima da França (HCC, na sigla em francês) alertou durante o verão que o país não estava no caminho certo para cumprir sua promessa de reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 40% em comparação aos níveis de 1990 no final desta década.

As emissões relacionadas ao transporte representam um quarto das emissões de gases do efeito estufa da União Europeia, de acordo com a Agência Europeia do Ambiente.

Limitar o uso de carros poluentes é um dos pilares da estratégia francesa para combater as mudanças climáticas. Uma importante legislação climática aprovada durante o verão de 2021 inclui medidas para acabar aos poucos com os anúncios de gasolina e outros combustíveis fósseis, e disponibilizar subsídios para os motoristas que trocarem de carro e optarem por modelos menos poluentes.

As montadoras expressaram diferentes reações em relação às novas exigências para publicidade. A Volkswagen disse à imprensa francesa que seguiria as regulamentações, assim como o departamento francês da Hyundai.

“Estamos prestando atenção, vamos nos adaptar”, disse Lionel French Keogh, CEO da Hyundai na França, à Agence France-Presse. “Transporte com emissão zero de carbono é o futuro.”

Mas ele reclamou que a medida “estigmatizava o automóvel” e era “um pouco contraproducente”, pois não fazia distinção entre os tipos de carro, nem mesmo enquanto o governo tenta incentivar o uso de veículos elétricos.

Já as principais fabricantes de automóveis francesas, Renault e Stellantis, que vende a marca Peugeot, e a montadora americana Ford, não responderam imediatamente às solicitações de posicionamento. / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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