França pede mais estímulos à Alemanha

Governo francês sugere que alemães injetem 50 bilhões na economia, como forma de aquecer a economia na zona do euro

O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2014 | 02h04

A França está pressionando a Alemanha a elaborar um programa de estímulo de 50 bilhões (US$ 63,8 bilhões) de três anos, aprofundando uma confrontação sobre política econômica entre os dois países que vem preocupando a zona do euro.

O pedido feito pelos ministros franceses de Finanças, Michel Sapin, e Economia, Emmanuel Macron, em entrevista a um jornal alemão, surgiu no mesmo dia em que os dois deveriam se reunir com ministros do país vizinho em Berlim.

Autoridades alemãs evitaram comentar a proposta dos franceses e minimizaram as divergências. "Nós estamos em uma contínua e bastante próxima troca de opiniões", afirmou um porta-voz de Wolfgang Schäuble, ministro de Finanças da Alemanha.

Equilíbrio. Macron pediu que a Alemanha evite a austeridade excessiva. Segundo ele, enquanto a França avalia a ideia de cortar os gastos do governo em 50 bilhões nos próximos três anos, seria bom a Alemanha contrabalançar isso com uma injeção de dinheiro na Europa.

"Uma economia de 50 bilhões para nós e investimentos adicionais de 50 bilhões para eles seria um equilíbrio bom", disse o ministro, em entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung.

A proposta francesa é um contraponto à ênfase de Berlim nos cortes de gastos, apesar das evidências de que as economias europeias, incluindo a da Alemanha, podem estar voltando à recessão. Isso destaca o impasse entre austeridade e estímulos dentro da União Europeia visto nas reações ao orçamento francês para 2015, que prevê um déficit que excede os limites impostos pelo bloco.

A França enfrenta dificuldades para obter aprovação da Comissão Europeia, o braço executivo da União Europeia, para o orçamento do próximo ano. O governo francês argumenta que o plano cumpre as regras, que permitem que circunstâncias econômicas sejam levadas em consideração, e diz que cortar o déficit mais rapidamente vai prejudicar o já fraco crescimento do país.

A disputa entre França e Alemanha em relação à política econômica reflete as profundas diferenças entre as visões dos dois governos sobre os problemas da zona do euro e sobre como solucioná-los.

Na visão de Berlim, o maior gasto público ou a impressão de dinheiro pelo banco central seria apenas um paliativo que daria no máximo um impulso temporário à economia, enquanto na visão de Paris - que é compartilhada pela Itália e também pelos Estados Unidos - a zona do euro está sofrendo de uma crônica falta de demanda na economia, além de problemas estruturais em nível nacional e europeu. / DOW JONES NEWSWIRES

Tudo o que sabemos sobre:
FrançaAlemanhainvestimento

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.