França pode participar do PAC, diz ministra

A ministra de Comércio Exterior da França, Christine Lagarde, reuniu-se nesta quinta-feira com o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, juntamente com uma comitiva de empresários e parlamentares franceses. Ela expôs os planos franceses para a ampliação das relações comerciais entre os dois países e disse que o Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC), anunciado na última semana pelo governo brasileiro, pode incentivar uma ampliação do investimento privado no País. "As empresas francesas podem participar do movimento de crescimento incentivado pelo poder público." Ela acrescentou que setores como obras públicas, que não estão presentes nos investimentos franceses atualmente, podem ocorrer.Ela ressaltou ainda que a ampliação da corrente comercial entre os dois países pode ocorrer tanto em termos de exportação quanto de investimentos. Podem ser alvos, segundo Lagarde, os setores agroalimentar, de infra-estrutura, de energia, transporte e cultura. Segundo a ministra, o Brasil é um dos 25 países determinantes para as relações comerciais da França e que as relações, atualmente entre 4,5 bilhões e 5 bilhões de euros, estão insuficientes.A ministra destacou também que a França está presente no Brasil através de 400 empresas instaladas, que geram cerca de 250 mil empregos. "Em termos de investimentos somos o quarto maior investidor estrangeiro no Brasil." Atualmente o saldo comercial entre os dois países é deficitário ao Brasil, em US$ 174 milhões, resultado de US$ de 2,6 bilhões em exportações e US$ 2,8 bilhões em importações.DohaA ministra comentou também a retomada das negociações da Rodada Doha, dizendo que tanto a França quanto o Brasil compartilham "a mesma esperança" de que a Rodada se concretize e seja "vantajosa" para os dois países. "O único problema é que atualmente nós não estamos mais num tango, e também não estamos mais numa valsa, estamos numa espécie de festa de rock´n´roll, onde ninguém tem vontade de respeitar as regras da quadrilha e todos querem tudo imediatamente e só para si", disse.Ela ressaltou que para os EUA obterem acesso aos mercados agrícolas da Europa e da maioria dos países emergentes devem abrir setores importantes de sua economia, como o industrial, o comercial e de serviços, que se mantêm fechados. "Isso faz com que o conjunto de países desenvolvidos e emergentes tenham como oferecer melhores acessos alfandegários tanto em termos de produtos quanto de serviços. É claro que União Européia pode conceder aberturas e concessões para esses interesses econômicos, permitindo um equilíbrio maior nas negociações e concretizando as ambições que todos compartilhamos."Para o diretor de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, Brasil e França defendem posições antagônicas na rodada de Doha da OMC, já que a França mantém seus principais focos de resistência nos produtos agrícolas. "A França tem que ter uma postura mais generosa. Essa proteção atrapalha as negociações e pode tornar a rodada de Doha impossível. Não faremos nenhum acordo se a França não recuar na agricultura", disse.Segundo ele, se houver recuo francês perante seus subsídios à agricultura, as possibilidades de cooperação são enormes com o Brasil, como em setores de inovação tecnológica, biodiversidade e desenvolvimento genético. "O desfecho favorável de Doha trará enormes benefícios para o comércio exterior entre os países", afirma, acrescentando que o Brasil tem "flexibilidade para negociar".Giannetti defendeu também o aumento da cota tarifária - volume determinado com tarifa zero que protege a indústria local e cria uma reserva de mercado - para a entrada de outros países no mercado europeu de etanol. "Vai crescer a demanda pelo etanol nos próximos anos e, ao invés da produção ser realizada pelos países pobres, eles querem produzir localmente, com o dobro do valor", disse Giannetti, acrescentando que a União Européia está implantando 10% do etanol na gasolina. "A União Européia deve ampliar e liberar um volume maior de etanol e seria interessante que outros países também explorassem o biocombustível."A ministra não quis comentar a possibilidade de a França ampliar sua cota tarifária para o avanço do etanol brasileiro. "Não posso dar respostas. É um tributo muito elevado", afirmou, ressalvando, porém, que a "França está preocupada com o desenvolvimento sustentável". Segundo ela, o Brasil promoveu "bons" investimentos nos últimos anos para o desenvolvimento do etanol e o País "está avançado em relação aos demais países". "O Brasil é líder e pioneiro na produção mundial de etanol", salientou a ministra.Matéria alterada às 15h23 para acréscimo de informações

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