França reduz previsão para PIB em 2011, mas mantém meta de déficit

Governo agora espera que a economia cresça 2% em 2011; muitos economistas consideravam irreal a projeção anterior, de +2,5%

Álvaro Campos, da Agência Estado,

20 de agosto de 2010 | 14h25

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, reduziu a previsão do governo para o crescimento da economia em 2011, mas disse que cortar o déficit público para 6% do PIB no ano que vem ainda é uma meta importante, qualquer que seja o nível de crescimento. O governo agora espera que a economia cresça 2% em 2011; muitos economistas consideravam irreal a projeção anterior, de +2,5%.

A nova previsão de crescimento está em linha com a projeção da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), disse Sarkozy em comunicado. Mas o documento não explica por que o governo decidiu reduzir a previsão de crescimento, nem por que essa nova projeção ainda está acima da previsão do FMI, que estima uma expansão de 1,6% para o PIB da França em 2011.

"A redução do déficit deve ser alcançada tendo o corte de gastos como uma prioridade. Nem o imposto de renda, nem o imposto de valor agregado (VAT), nem os impostos corporativos serão elevados", diz o comunicado.

O governo planeja reduzir o déficit público de 8% do PIB, esperados para este ano, para 6% em 2011 e 4,6% em 2012, chegando a 3% em 2013.

O comunicado foi emitido pelo governo depois de Sarkozy se reunir com os principais membros da administração em sua residência de verão. Participaram do encontro a ministra de Finanças, Christine Lagarde, o primeiro-ministro, François Fillon, e o ministro do Orçamento, François Baroin.

Reduzir o déficit com um crescimento menor do que o esperado vai ser um grande desafio para a França. Na previsão econômica mais recente da OCDE, publicada em maio, o grupo diz que o crescimento do PIB real da França deve ficar em média em 2% ao ano. A organização acrescentou que o déficit vai se deteriorar antes de "reduzir-se para abaixo de 7% do PIB em 2011".

Sarkozy reiterou hoje o anúncio feito anteriormente, de que entre as metas de cortes de despesas está um congelamento nos gastos públicos por três anos e uma redução de 10% nos custos operacionais até 2013. O comunicado acrescenta que o governo tem a meta de eliminar, no quarto trimestre deste ano, € 10 bilhões em "nichos fiscais", que são descontos e isenções de impostos. Qualquer aumento na arrecadação de impostos será completamente utilizado para reduzir o déficit, afirmou o governo.

Ainda assim, a previsão de crescimento para a França este ano é relativamente boa. Após uma expansão melhor do que o esperado de 0,6% no segundo trimestre, em comparação com os primeiros três meses do ano, Sarkozy disse que o governo vai atingir a meta de uma alta de 1,4% no PIB este ano, ou mesmo ultrapassá-la. As informações são da Dow Jones.

 
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