Reuters/ Larry Downing
Reuters/ Larry Downing

França se junta à Alemanha e pede o fim das negociações comerciais entre a UE e os EUA

Presidente francês disse que acordo, que estabelecerá zona de livre comércio transatlântico, está 'empacado'; críticos dizem que as ofertas tendem a diminuir salários, ameaçam proteção regulamentar e minam identidade nacional

Dow Jones Newswires e Reuters

30 de agosto de 2016 | 19h29

PARIS - O ministro do Comércio da França, Matthias Fekl, pediu um fim às negociações comerciais entre a União Europeia (UE) e os EUA, juntando-se a pedidos da Alemanha pelo fim das negociações. O acordo visa eliminar quase todas as tarifas e reduzir a burocracia reguladora que atua para limitar o comércio, estabelecendo o que seria efetivamente uma vasta zona de livre comércio transatlântico.

Fekl disse que usaria a ocasião de uma reunião de ministros do Comércio no final de setembro para pedir à Comissão Europeia, o braço executivo da UE, para acabar com as negociações sobre a Parceria de Comércio e Investimento Transatlântico, geralmente conhecida como TTIP. 

"A França não apoia politicamente estas negociações", disse Fekl nesta terça-feira, 30, a uma rádio francesa. "Os americanos não estão nos dando nada", acrescentou. "Não é assim que aliados devem  negociar". "Deveria haver um fim absolutamente claro para que nós possamos recomeçar em boas bases"

Nesta terça-feira, o presidente francês, François Hollande, também lançou dúvidas sobre o futuro das negociações chamando os resultados até agora de "desequilibrados". "As negociações estão empacadas, posições não foram respeitadas, é claramente um desequilíbrio", disse. 

No domingo, 28, o ministro da Economia da Alemanha, Sigmar Gabriel, disse que as negociações do TTIP tinham fracassado após a Europa recusar algumas demandas dos EUA. 

Ceticismo. Os comentários de Fekl ressaltam como o ceticismo com a liberalização do comércio está crescendo em ambos os lados do Atlântico, alimentados por críticos que dizem que as ofertas tendem a diminuir os salários domésticos, ameaçam a proteção regulamentar e minam a identidade nacional.

Mas os políticos das maiores potências econômicas do bloco europeu, França e Alemanha, encontram-se sob o fogo para apoiar as negociações com os EUA. Marine Le Pen, chefe do partido de direita Frente Nacional da França, tem repetidamente atacado Hollande por concordar em lançar as negociações, colocando pressão sobre ele para reverter o curso. 

Nos EUA, a Casa Branca informou esta semana que planeja alcançar um acordo até o fim do ano. "Isso vai demandar a resolução de algumas negociações bastante árduas, mas o presidente e seu time estão comprometidos com isso", disse o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, a jornalistas em Washington.

Mas o presidente Barack Obama enfrenta uma dura batalha no Congresso para passar um outro acordo comercial importante, a Parceria Trans-Pacífico. Os candidatos Donald Trump e o senador Bernie Sanders reforçaram suas posições durante a corrida presidencial, opondo-se fortemente aos acordos comerciais, colocando pressão sobre a candidata democrata Hillary Clinton ao adotar uma postura mais cética.

Reação na Europa. Não está claro como o resto da Europa iria reagir ao pedido da França para parar as negociações. A comissão tem um mandato dos 28 Estados membros do bloco para prosseguir com as negociações. É necessário que todos os membros da UE aprovem o negócio para concluir as negociações.

Mas as negociações se arrastam há mais tempo do que o esperado, enquanto os temores persistem na Europa de que o negócio exigiria a região para aceitar tecnologias apoiadas pelos EUA, tal como as culturas biotecnológicas, que a maioria dos europeus se opõe. 

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