França taxará em 50% os bônus salariais do setor financeiro

Quem ganhar mais de 27,5 mil euros terá que dar metade ao fisco; taxa deve afetar 3 mil pessoas, diz ministra

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

16 de dezembro de 2009 | 14h52

A ministra de Finanças da França, Christine Lagarde, disse que o país aplicará uma taxa de 50% sobre bônus superiores a 27.500 euros oferecidos a funcionários de bancos no ano que vem. "Os bancos terão de pagar taxas sobre os bônus pagos em 2010", disse Lagarde a repórteres após o encerramento da reunião semanal do gabinete.

 

A taxa afetará todos os banqueiros e traders que trabalham em solo francês, independentemente da nacionalidade da empresa empregadora, ou um total de entre 2 mil e 3 mil pessoas, afirmou uma autoridade do Ministério das Finanças. A receita gerada com a taxa vai financiar a ampliação da faixa de depósitos bancários garantidos pelo governo de 70 mil euros para 100 mil euros.

 

Alguns detalhes, no entanto, ainda não foram esclarecidos. Ainda não se sabe, por exemplo, qual será a arrecadação proporcionada pela medida, nem se os bônus que incluem ações serão taxados da mesma forma.

 

A redução nos bônus de funcionários de bancos tornou-se uma prioridade para os políticos de países industrializados desde o agravamento da crise econômica mundial, já que os altos salários dos empregados da indústria financeira - que precisou ser amparada pelos governos - geraram revolta entre os contribuintes.

 

Na Europa, a França e o Reino Unido - que abrigam os principais mercados financeiros da região - tomaram a iniciativa em relação à redução dos bônus.

 

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, afirmaram em um artigo assinado por ambos e publicado no Wall Street Journal no início deste mês que a taxação dos bônus de bancos deve ser considerada uma prioridade.

 

O plano orçamentário mais recente do Reino Unido prevê a aplicação de uma taxa de 50% sobre bônus superiores a 25 mil libras concedidos a funcionários do setor financeiro. No país, grande parte do sistema financeiro passou a ser controlado pelo governo para evitar um colapso. Na França, no entanto, os bancos demonstraram maior resiliência e, portanto, menor dependência do poder público. As informações são da Dow Jones.

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