França vai comprar parte da dívida de grandes bancos

Ação representa a primeira medida pública do governo sob o programa de socorro de 360 bi de euros

PRISCILA ARONE, Agencia Estado

21 de outubro de 2008 | 08h55

O governo francês anunciou que planeja comprar 10,5 bilhões de euros (cerca de US$ 13,9 bilhões) em dívidas dos seis maiores bancos do país, numa tentativa de melhorar o fluxo de crédito para a economia. Os bancos escolhidos para receber os fundos são BNP Paribas, Crédit Agricole, Société Générale, Caisse d''Epargne, Banque Populaire e Crédit Mutuel.   Veja também: Japão indica que grandes bancos podem receber recursos públicos Rússia deve ter cuidado no uso de reservas, diz ministro Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise  A ação do governo representa a primeira medida pública da França sob o programa de socorro de 360 bilhões de euros (cerca de US$ 475,8 bilhões) anunciado na semana passada. O plano é parte da resposta coordenada dos países da Europa ante a crise global de crédito.   A injeção de recursos nos bancos tem o objetivo de estimular a concessão de crédito na economia francesa e assegurar que os bancos mantenham um certo nível de solvência. "O objetivo da operação não é recapitalizar os bancos", disse o presidente do Banco da França, Christian Noyer. "O Estado não está dando um presente aos bancos", acrescentou a ministra das Finanças, Christine Lagarde.Os recursos virão de um fundo de 40 bilhões de euros destinado a permitir que o governo compre ativos de bancos franceses, num esforço de injetar dinheiro nas operações de crédito, num momento em que os bancos relutam em emprestar uns aos outros. O governo também destinou até 320 bilhões de euros para garantias de crédito. As informações são da Dow Jones.   Paribas   O banco BNP Paribas já confirmou nesta terça que planeja emitir 2,55 bilhões de euros (US$ 3,38 bilhões) em títulos de dívida subordinada como parte do plano de 40 bilhões de euros do governo francês para recapitalizar os bancos do país. O maior banco da França em valor de mercado disse que tomou essa decisão em benefício de seus clientes e acionistas. O banco emitirá dívida híbrida antes do final do ano, que será comprada por uma companhia formada pelo governo francês para esse fim.   "Sob esse plano, o BNP Paribas terá acesso a financiamento complementar a termos satisfatórios, levando em conta a solidez financeira do grupo, numa época em que os mercados de dívida para esse tipo de financiamento seguem inativos", disse o banco em comunicado.   A instituição financeira disse que a emissão de dívida subordinada não é um empréstimo e não fará com que o governo francês termine com uma fatia no banco. O BNP disse que o plano francês não dilui o valor para os acionistas e não terá impacto em sua política de dividendos.   (com Marcílio Souza, da Agência Estado)

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