Francesa lança sistema para concorrer com GoogleNews

Versão da empresa de telefonia Orange prevê divisão da receita com associação de jornais

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2012 | 02h08

O operador francês de telefonia Orange, um dos maiores da Europa, colocou no ar ontem, em Paris, um novo "motor de pesquisas" especializado em sites de informação. O portal, intitulado presse.lemoteur.fr, tem o objetivo de ocupar o lugar do Google e oferecer aos veículos de imprensa uma espécie de "GoogleNews remunerado", aproveitando-se da briga entre o maior portal de pesquisas do mundo e jornais na França - disputa que também acontece na Alemanha e no Brasil.

O site cataloga oito dos maiores jornais e revistas da França - Le Figaro, Libération, Les Echos, Le Parisien, L'Équipe, L'Express, Le Point e Le Nouvel Observateur -, empresas com as quais o portal vai dividir o valor arrecadado com a publicidade. O site traz no alto o logotipo da Orange e ao lado a inscrição "Le Moteur - "O Motor", sob o slogan "Mais rápido ao essencial". Ao centro, há um campo de pesquisas. Na parte inferior, à direita, o portal traz ainda um campo com os cinco assuntos mais pesquisados do dia.

Cada busca dá origem a duas categorias de resposta. A primeira é de últimas notícias sobre o assunto, denominada "Estas acabam de ser publicadas", e a segunda elencando as reportagens em "Como a imprensa está tratando".

A ideia do portal nasceu por inspiração das empresas jornalísticas da França. Neste momento, os editores travam uma disputa com a companhia americana Google sobre o referenciamento de notícias online. Jornais e revistas pedem que o portal pague pela publicação de seus textos e alegam que eles estão sujeitos a direitos autorais.

Eles querem que o Google compartilhe parte da receita publicitária obtida com as pesquisas. Hoje o GoogleNews não remunera os editores jornalísticos, o que levou os veículos de imprensa do Brasil a proibirem a reprodução do conteúdo no portal Google.

Segundo David Lacombred, diretor delegado de Estratégias de Conteúdo da Orange, o projeto tem dois anos de existência e é anterior à disputa entre os veículos de imprensa e o Google. Ainda assim, o executivo reconhece que "segue as discussões atentamente" e que remunera as empresas participantes. Da receita obtida com publicidade, Orange receberá 50%, enquanto o grupo GIE-EPresse, a associação dos oito jornais e revistas parceiros, ficará com os outros 50%.

Críticas. O portal, ainda em versão experimental, foi acolhido com críticas por sites especializados em informática. A primeira delas foi quanto ao número de reportagens indexadas.

O Estado testou o portal na noite de ontem, quando ocorre o pico de audiência da internet. Ao nome próprio "Brésil"- Brasil em francês - o novo portal ofereceu 101 alternativas de textos. O GoogleNews indicou 58 mil links. Além da falta de fontes de informação -apenas os oito associados, por ora -, entre as avaliações mais comuns de blogueiros especializados estava a estética do site e seu nome, tido como pouco atraente.

Os responsáveis pelo portal responderam as críticas. "Este motor de pesquisas não tem a vocação de criar mais um portal de notícias como vocês supuseram, mas visa experimentar novos modelos de redirecionamento de audiência para reportagens de imprensa pelo meio de rankings de pesquisa, maior ponto de entrada do motor", explicou a Orange.

A companhia afirma ainda que o projeto será aprimorado. "Nossa colaboração com a imprensa online será enriquecida com o tempo. Novos fluxos, novos níveis de leitura da imprensa e novos modelos de visibilidade chegarão pouco a pouco", informou a empresa.

'Timing'. Francesa Orange, de telefonia, aproveitou disputa de Google com jornais para lançar concorrente do GoogleNews

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