Guillaume Horcajuelo/EFE
Guillaume Horcajuelo/EFE

Franceses vão às ruas mais uma vez contra reformas

População reage a projeto que aumenta de 60 para 62 anos a idade mínima para aposentadoria já aprovado na Assembleia Nacional

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2010 | 00h00

Os franceses voltaram às ruas do país ontem num segundo movimento de greve em 20 dias para lutar contra o projeto de reforma da previdência social, proposto pelo presidente Nicolas Sarkozy.

Em 231 passeatas realizadas pelo país, 997 mil trabalhadores, segundo a polícia, e quase 3 milhões, conforme os sindicatos, pediram no grito a retirada do projeto de aumento da idade mínima da aposentadoria de 60 para 62 anos. E, mais uma vez, reivindicaram a demissão do ministro do Trabalho, Eric Woerth, responsável pela reforma.

A passeata foi interpretada na França como uma nova demonstração de força dos sindicatos, mesmo que o projeto já tenha sido aprovado na Assembleia Nacional e só dependa do voto do Senado para entrar em vigor. Em Paris, entre 65 mil e 300 mil pessoas, nas versões da polícia e dos organizadores, cruzaram os braços, causando paralisações parciais em especial na educação e nos transportes públicos. "Eu participei da manifestação de 7 de setembro, mas não sei quantos precisamos somar nas ruas para que o governo entenda o recado", afirmou a artesã Coralie Martin, que assistia as manifestações em Paris. " Nós precisamos de uma reforma, mas não essa."

Os dois lados. Entre os principais sindicatos e o Palácio do Eliseu, os discursos sobre o dia de protestos foram opostos. Os primeiros comemoraram uma nova jornada de alta mobilização social, enquanto os porta-vozes do governo se esforçaram para minimizar os protestos. "É do mesmo nível ou mais forte que em 7 de setembro", garantiu Jean-Claude Mailly, diretor do Força Operária. "Houve uma desaceleração incontestável da mobilização", respondeu Woerth, em entrevista à emissora de TV France 2. "Nós explicamos bem a reforma e devemos continuar a explicá-la, porque ainda há gente na rua, gente em greve."

As divergências sobre os números demonstram o impasse social que reina na França. Enquanto o governo se recusa a recuar em pontos centrais da reforma, como a idade mínima de aposentadoria e o tempo de contribuição, os sindicatos prometem novas mobilizações.

PARA ENTENDER

Com a eclosão da crise da dívida fiscal na Grécia, todos os países da zona do euro adotaram pacotes de austeridade. Via de regra, as medidas para reequilibrar os orçamentos têm duas origens: aumento de impostos e redução das despesas fiscais. A expressão "gastos do Estado" não passa de eufemismo para a extinção de programas sociais. E um dos mais polêmicos é o que mexe na idade mínima para aposentadoria.

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