Franco suíço surge como porto seguro

O franco suíço, uma das moedas fortes mais negociadas e estáveis do mercado de câmbio internacional, atingiu hoje sua maior cotação em 21 meses frente ao dólar, tirando proveito de sua renovada condição de refúgio para épocas de crise. Com o dólar mostrando tendência de queda desde antes dos atentados terroristas do último dia 11 aos EUA, o franco suíço atraiu mais investidores e atingiu valor recorde também frente ao euro. A moeda suíça bateu em 1,4451 por euro e 1,5665 por dólar. A recente trajetória de queda do dólar frente às moedas fortes mostra uma drástica reviravolta no movimento da moeda norte-americana, que nos últimos anos se favoreceu do inequívoco crescimento econômico dos EUA. O declínio do dólar frente às moedas fortes era previsto por diversos analistas desde que a economia dos EUA entrou em desaceleração e conforme a guerra vai ficando cada vez mais próxima.Setores contra o dólar forteEm agosto passado, um grupo de companhias norte-americanas, incluindo a maior montadora do país, a General Motors, o gigantesco grupo químico DuPont, a Gillette, de bens de consumo, e a cadeia de fast food McDonald´s, reclamaram da força do dólar, que reduzia seus ganhos no exterior. A DuPont, ao divulgar seu balanço do segundo trimestre, estimou que as altas do dólar haviam provocado uma redução de US$ 35 milhões em seu lucro, conforme noticiou a revista The Economist em sua edição de 18 de agosto. Em um mês, a situação no câmbio se inverteu. O dólar, que era negociado a 0,88 euros em agosto, hoje era cotado a 0,914. "Não há a menor dúvida de que a Europa está parecendo um lugar um pouco mais seguro, um detalhe que pode favorecer o euro", diz Sobral.IeneFrente à moeda japonesa, o dólar só conseguiu se manter hoje no patamar de 116,50 ienes graças a pelo menos três intervenções durante a semana do Banco Central do Japão, que se esforça para conter a alta da moeda de seu País. Em julho, o dólar estava em 125 ienes.O governo japonês teme que a valorização de sua moeda prejudique as exportações das empresas japonesas, que não podem contar com uma rápida recuperação do estagnado mercado doméstico. Nos últimos dias, alguns analistas sugeriram que estaria havendo uma onda de venda de ativos em dólares no exterior e repatriação de ienes para o Japão.

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