François Dossa assume comando da Nissan no Brasil

Executivo nasceu na França, mas se naturalizou brasileiro; ele chegou à montadora há sete meses, vindo do banco Société Générale

CLEIDE SILVA, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2012 | 02h07

O economista François Dossa, de 49 anos, atual diretor geral de administração e finanças da Nissan do Brasil, assumirá a presidência do grupo automotivo em 1º de janeiro. Ele será o substituto de Christian Meunier, que no fim de outubro foi indicado para comandar a filial do grupo japonês no Canadá.

Francês naturalizado brasileiro há 23 anos, Dossa chegou ao grupo Nissan em abril. Antes, presidiu o banco Société Générale, sendo responsável pelas operações no Brasil e na América Latina. Também foi diretor de finanças de exportação do banco Paribas, em Paris, e gerente comercial da CGEE Alsthom do Brasil, em São Paulo. Atualmente, preside a Câmara de Comércio Brasil-França.

Dossa terá como desafio manter a trajetória de crescimento da marca. Sob o comando de Meunier nos últimos dois anos e meio, a participação da Nissan no mercado brasileiro de veículos passou de 0,8% para 3%, com crescimento de vendas de 23.141 unidades, em 2009, para 89 mil, até outubro deste ano, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Em nota divulgada ontem, a empresa afirma que "trabalha para atingir a meta de 5% do mercado até 2016". Informa ainda que, nesse período, pretende lançar oito novos modelos, dos quais quatro serão produzidos na fábrica a ser inaugurada em Resende (RJ) no início de 2014.

Os quatro modelos serão o compacto March e o sedã Versa - hoje importados do México -, o inédito utilitário-esportivo Extrem, apresentado como conceito no Salão do Automóvel de São Paulo em outubro, e um quarto veículo a ser anunciado.

A nova fábrica vai consumir R$ 2,6 bilhões em investimentos e terá capacidade para 200 mil veículos ao ano.

Na sexta-feira, o presidente mundial do grupo Renault/Nissan, o franco-brasileiro Carlos Ghosn, estará no Brasil para falar das expectativas da companhia no mercado brasileiro. No domingo, ele assistirá à final da Fórmula 1 em Interlagos.

No sábado, o vice-presidente global de marketing da Nissan, Andy Palmer, e o vice-presidente da Infiniti (marca de luxo do grupo), Johan de Nysschen, também vão falar sobre os planos de expansão de empresa no Brasil, durante os treinos da F1.

Cotas. De janeiro a outubro deste ano, as vendas da Nissan cresceram 87% em relação ao mesmo período de 2011. A marca saltou da 12ª para a 7ª posição no ranking nacional de automóveis e comerciais leves.

A trajetória de crescimento da marca, contudo, foi freada após o estabelecimento de cotas de importação determinadas pelo acordo automotivo entre Brasil e México, em vigor desde março.

A montadora produz os modelos Livina, Grand Livina e Frontier na fábrica que opera em conjunto com a Renault, no Paraná, mas 70% dos carros vendidos no País, como March, Versa e Tiida, vêm do México.

À Nissan coube uma cota de importação de 35 mil veículos para o período março de 2012 a março de 2013, livre do Imposto de Importação de 35%. O volume já foi atingido e, a partir deste mês, a empresa está importando alguns modelos com alíquota integral. Com isso, o preço do March, o mais vendido da marca, subiu R$ 1,1 mil, para R$ 26.060.

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