Franqueados ameaçam criar correio privado

Donos de franquias negociam associação com empresas de entrega de correspondências

Roberta Scrivano, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2010 | 00h00

Os franqueados dos Correios de São Paulo, que podem ter de fechar as portas em 10 de novembro caso o imbróglio das licitações não se resolva, estão se organizando para já no dia 11 lançar uma nova empresa que funcionará como um correio privado.

O presidente da Associação Brasileira de Franquias Postais de São Paulo (Abrapost), Márcio Ramos Pires, disse ao Estado que já está com conversas "bem adiantadas" com empresas de logística para a entrega das correspondências. Hoje, as franquias só atuam na postagem dos materiais. A entrega fica a cargo dos Correios.

"Como empresários não podemos simplesmente sucumbir, por isso buscamos uma saída já que não há diálogo com os Correios", diz Pires. "Temos uma rede formada, com mão de obra qualificada contratada, imóveis, aparelhagem e expertise".

Paulo Ricardo Moreira, que dirige a agência Anchieta, maior franquia do País, considera a proposta dos Correios inviável financeiramente. "Há uma redução na remuneração dos franqueados muito forte", diz.

Ele conta que hoje de 10% a 40% de todo o faturamento da agência vai para o franqueado. A nova proposta, no entanto, reduziu essa margem para 3% e 29%. "Além disso, teríamos uma redução no trabalho. Nas novas regras não poderemos atender os chamados "clientes estratégicos", como bancos."

Na agência Anchieta, pelo menos 60% das postagens são de instituições financeiras.

Pires, da Abrapost, conta que 60% da carga que é postada em todas as agências de São Paulo é entregue na própria cidade e cerca de 40% fica na região Metropolitana, não são cargas de exportação. "Isso facilita o desenvolvimento do nosso plano B."

Diretor dos Correios, Mário Renato Borges da Silva rebate as críticas dos franqueados. "É um absurdo dizer que não há diálogo. Neste ano, a Abrapost participou de 10 reuniões aqui nos Correios", diz.

Para Moreira e Pires, no entanto, a decisão dos Correios de colocar um plano de contingência de R$ 426 milhões para cobrir a saída dos franqueados da rede, foi unilateral e "encerrou qualquer chance de diálogo."

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