Franquias buscam mais negócios no Norte

Novos shopping centers, aumento da renda da população e realização da Copa do Mundo justificam investimentos

Marianna Aragão, O Estadao de S.Paulo

08 de setembro de 2009 | 00h00

A região Norte está despertando o interesse das principais redes de franquias do País. O surgimento de novos shopping centers nas principais cidades, o crescimento da renda da população e a perspectiva de realização da Copa do Mundo em 2014 têm justificado o investimento dos empreendedores. Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), estima-se que o número de novas unidades franqueadas na região dobre nos próximos três anos. Hoje, ela responde por apenas 3% do total de pontos de venda no País.

Segundo o diretor executivo da ABF, Ricardo Camargo, Manaus é a grande vedete dos investidores na região. A capital do Amazonas ganhou dois novos centros de compras nos últimos anos, o que atraiu muitas redes de franquias. Como única cidade da região Norte que receberá jogos da competição mundial de futebol, ela deve continuar no foco dos empresários do setor. "A modernização da infraestrutura de estádios deve atrair redes de alimentação e serviços, principalmente", afirma Camargo.

A franquia de lanchonetes Subway estuda a abertura de uma unidade dentro de estádios. "Já temos experiências bem-sucedidas com esse modelo nos Estados Unidos", diz Frederico Pereira, agente de desenvolvimento para a região norte da Subway, rede de origem norte-americana. Desde 2007, a companhia intensificou a prospecção de novos negócios na região.

Após a abertura da primeira loja em maio, em Manaus, a rede prevê outras sete até o fim do ano que vem. Além da capital, estuda projetos em Belém do Pará e Rio Branco, no Acre. Outra rede de alimentação, a Vivenda do Camarão, estima que o Norte do País representará 7% do mercado em dois anos.

Há mais tempo na região, a rede de cafeterias Rei do Mate inaugurou sua quinta loja na capital amazonense este ano. Em outubro, inaugura a segunda unidade em Belém. João Batista da Silva Júnior, diretor de franquias da empresa, afirma que o ganho de renda da população, aliado ao desenvolvimento do turismo e de novos negócios na região, motivou os investimentos. "Pela carência de opções, o consumidor do Norte é muito aberto a novidades", completa.

A distância dos fornecedores, porém, ainda é um entrave para uma maior expansão dos negócios na região. A logística é o maior dos problemas. No Rei do Mate, algumas mercadorias chegam a demorar de 15 a 20 dias, desde o centro de distribuição, em São Paulo, até uma unidade da rede em Manaus. Por isso, o franqueado tem de ampliar a área de estoque, aumentando o custo inicial do empreendimento em cerca de 30%. "O planejamento do empreendedor é muito mais exigido", diz Pereira, da Subway.

Com planos de chegar a 10 unidades em Manaus nos próximos seis anos, a Subway está estudando um projeto de construção de dois novos centro de distribuição no País. Um deles, no Centro-Oeste, que poderia abastecer os Estados da região, reduzindo os custos logísticos. Atualmente, existe apenas um centro de distribuição da empresa, na capital paulista.

Segundo Ricardo Camargo, da ABF, o mercado de franquias está aquecido em todo o País. Mesmo com a crise, o setor prevê um crescimento de 13% este ano, ante 18,5% registrado em 2008. No primeiro trimestre, o volume de lojas inauguradas aumentou 6% em relação ao mesmo período do ano passado.

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