coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Franquias em série ganham mercado

Em busca de sinergia e crescimento, empreendedor cria central de marcas

Marianna Aragão, O Estadao de S.Paulo

09 de outubro de 2007 | 00h00

O bom momento que o setor de franquias atravessa no País está fazendo surgir um novo tipo de empreendedor. São profissionais que, com anos de experiência num mercado que cresce a um ritmo de dois dígitos ao ano, criam, compram e administram várias marcas de franquias. O resultado é o surgimento de verdadeiras ''''centrais'''' desse tipo de negócio, que podem abrigar de redes de lanchonetes a escolas de idiomas. ''''É uma tendência que reflete o amadurecimento do setor de franquias brasileiro'''', avalia Marcelo Cherto, presidente do Grupo Cherto, consultoria especializada em franquias.Um dos personagens principais desse movimento no Brasil é o empreendedor Sérgio Milano. Responsável por introduzir o modelo de franquias na livraria criada por seu avô, a Nobel, ele começou em 2005 a montar sua cesta de marcas. ''''Descobri que podia usar em outras atividades a mesma estrutura que permitiu a expansão da Nobel'''', conta.O primeiro alvo de Milano foi a loja de decoração Benedixt, que de loja única em São Paulo passou a rede com 12 unidades em cinco Estados. Depois, vieram a escola de línguas Centro Britânico, o Café Donuts, a loja de brinquedos Zás-Trás e a Camargo Mais, do ramo imobiliário. Segundo ele, a sinergia ocorre em vários setores. Serviços como call center, jurídico, publicidade e treinamento de pessoal são os mesmos para as seis empresas. ''''Dividir essas atividades, que representam 80% dos custos da franquia, traz mais rentabilidade para o meu negócio.'''' Segundo consultores, a economia média com a unificação pode chegar a 10%.ETAPAS QUEIMADASOutro que está criando sua própria central de franquias é o empresário Jae Ho Lee, que administra a rede Morana Acessórios, com 100 lojas, e a Jin Jin, de comida asiática, com 42 unidades. No próximo mês, Lee vai acrescentar à sua lista a Balonê, loja de acessórios voltada para o público infantil. ''''A marca nasce crescida, com várias etapas do processo de amadurecimento queimadas.''''Para a consultora de franchising Cláudia Bittencourt, ter uma rede de franqueados estabelecida acelera o crescimento. ''''Expandir o novo negócio fica mais fácil e rápido para esses empreendedores.'''' A perspectiva se aplica ao caso de Lee. Segundo o empresário, pelo menos 20 franqueados da Morana demonstraram interesse em abrir uma unidade da Balonê. Já no caso de Milano, muitos franqueados da Nobel optaram por abrir a loja de brinquedos (Zás-Trás) ou a lanchonete (Café Donuts) dentro da livraria.EVOLUÇÃOAgrupar franquias sob um mesmo comando é uma estratégia comum em outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, o grupo Yum! Brands detém as redes de lanchonetes KFC, Pizza Hut e Taco Bell. Segundo o consultor Marcelo Cherto, a medida atrai investidores. E, num segundo momento, abre caminho para a abertura de capital em Bolsa de Valores - caso da Yum!, que tem ações negociadas na Bolsa de Nova York.Por aqui, pelo menos um passo nesse caminho já foi dado. Em setembro, Milano, da Nobel, criou um fundo voltado exclusivamente para investimentos em empresas franqueadoras, o Franchising Ventures. Até hoje, o fundo captou R$ 36 milhões, quantia que será utilizada na aquisição parcial de ações de redes de franquias. ''''É uma forma do franqueador que não tem capital imediato se financiar'''', diz Milano. O objetivo é chegar a 10 redes para, depois, abrir o capital.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.