Fraqueza do mercado formal em 2014 deve continuar em 2015

ANÁLISE: José Paulo Kupfer

O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2015 | 02h03

A geração de novos postos de trabalho no mercado formal revelou forte queda de ritmo em 2014. Foram criados no ano apenas 400 mil novos empregos com carteira assinada - um resultado muito abaixo do padrão dos últimos dez anos. Nesse período, pelo menos 1,5 milhão de novas vagas foram criadas a cada ano, com exceção de 2009, ano de recessão na economia, que registrou um acumulado de 1,3 milhão de novos postos, e 2013, com 1,1 milhão de novas vagas. Em comparação com 2010, ano de pico na criação de vagas formais, quando foram abertos 2,5 milhões de novos postos, o volume gerado em 2014 representa apenas 16%.

Comparados com os anos anteriores, os resultados de 2014 indicam uma clara tendência de recuo no mercado de trabalho formal. Quando se observam os números a cada mês do ano passado, é fácil perceber que a estagnação na criação de vagas foi, na maior parte do ano, a característica de 2014. Os saldos mensais ajustados só superaram a marca de 100 mil em abril, agosto e setembro. Nem mesmo em 2009 a geração de empregos formais, mês a mês, se mostrou tão baixa.

Uma ideia da fraqueza do mercado de trabalho formal em 2014 pode ser dada pelo acréscimo mínimo de vagas, de menos de 1%, ao estoque de empregos existente no fechamento de 2013. Problemas para a manutenção de empregos formais foram particularmente visíveis na indústria, na construção civil e no comércio. Mas mesmo o setor de serviços, no qual os empregos formais se mostravam mais resistentes, também já mostra maior frouxidão. Em dezembro, por exemplo, foram fechados 150 mil postos no setor, pior resultado setorial de toda a série.

As perspectivas para 2015 não são mais animadoras. Janeiro deve começar com fechamento forte de vagas no comércio e na construção civil. Projeções atualizadas indicam a criação, no total, de um número de novos postos apenas um pouco acima do registrado em 2014.

Não pode, porém, extrapolar a fragilidade do mercado formal de trabalho diretamente para a taxa de desemprego calculada pelo IBGE, em que tanto trabalhadores ocupados no mercado formal quanto no informal são considerados ocupados. Depois de dez anos de forte movimento de formalização, o mercado de trabalho passou a apresentar tendência de regressão à informalidade, pelo canal dos autônomos e trabalhadores por conta própria, O fenômeno se acentuou em 2014 e deve prosseguir em 2015.

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