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Fraquezas do aço

A indústria siderúrgica brasileira está em crise, mas reivindica um tratamento errado para um diagnóstico também errado

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2015 | 21h00

A indústria siderúrgica brasileira vive a maior crise de sua história, conforme apontam os líderes do setor. Eles, no entanto, reivindicam o tratamento errado para o diagnóstico errado.

O Instituto Aço Brasil, organismo que defende os interesses do setor, divulgou levantamento que mostra que a indústria opera a 61% de sua capacidade. Dois altos-fornos, quatro aciarias e oito laminadoras estão paralisados. A Usiminas decidiu fechar a histórica Cosipa, instalada em Cubatão. As projeções são de que, somados os resultados de 2014 e 2015, as demissões cheguem a 29 mil funcionários.

Os problemas do setor têm duas principais causas: a queda da demanda interna, em consequência da forte recessão; e o excesso de estoques no mercado internacional, avaliado em 700 milhões de toneladas, quase 20 vezes a capacidade de produção anual do Brasil. Esse excesso de estoques, por sua vez, é consequência tanto da queda da demanda global quanto do aumento excessivo da capacidade de produção em anos anteriores.

Ou seja, a crise da siderurgia brasileira não é muito diferente da que atinge seus principais clientes brasileiros. As vendas de veículos em 2015 (até outubro) caíram 24,2%; as de eletrodomésticos de linha branca recuaram 14% até setembro; e a produção de bens de capital caiu 23,5%.

O lobby do setor quer mais proteção alfandegária sob o argumento de que enfrenta concorrência desleal dos produtos chineses. Quer que o Imposto de Importação suba dos 8% a 14% para 15% a 20%. Quer, portanto, empurrar para seus consumidores, especialmente para a indústria de bens de capital, para o setor de veículos, de aparelhos domésticos e para a construção civil o problema que enfrenta com o encalhe de produção.

O aumento das taxas alfandegárias seria a solução adequada se o Brasil estivesse sendo asfixiado por uma baixa artificial de preços. No entanto, a derrubada é apenas consequência do desequilíbrio entre oferta e procura.

De mais a mais, os números disponíveis não mostram que o volume de importações do Brasil apresenta situação anormal. A entrada física de aço vem caindo mais ou menos o que vêm caindo as vendas internas.

Aumentar os preços do aço com mais impostos é empurrar mais custos sobre a indústria de transformação e sobre a construção civil. É empurrar o ajuste e o desemprego para outros elos da cadeia de produção e de consumo, sem que os problemas de fundo sejam atacados.

Se a questão fosse a competição desleal da China, como tem sido dito, a solução não seria punir o consumidor interno com aumento de preços, num momento em que também está prostrado pela crise, mas promover ações cirúrgicas antidumping no âmbito da Organização Mundial do Comércio.

A indústria siderúrgica já foi beneficiada pelo grande empurrão cambial. Em 12 meses, a alta do dólar no câmbio interno é superior a 50%.

Além de uma falsa solução, como ficou dito, mais proteção alfandegária é apenas um jeito de perpetuar distorções.

CONFIRA:

O gráfico mostra a evolução do rombo das contas públicas.

 

Inspeção

Os diretores da Standard & Poor’s, a agência de avaliação de risco que já rebaixou o Brasil a grau de especulação, desembarcam nesta terça-feira para conferir a saúde da situação fiscal do País. O governo Dilma não tem nada de bom a mostrar. E isso pode apressar o rebaixamento em mais um degrau. Se isso acontecer, as outras duas agências, a Moody’s e a Fitch, podem se ver pressionadas a também rebaixar os títulos do Brasil. A ver.

 

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