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Freio da Petrobrás no investimento tem forte impacto no PIB

Estudo da Fazenda mostra que impacto pode passar de 2 pontos porcentuais; cortes este ano devem chegar a 33%

Bernardo Caram , O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2015 | 02h03

A redução de investimentos na Petrobrás neste ano pode provocar uma contração que ultrapassa 2 pontos porcentuais do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro neste ano, informou nesta quarta-feira, 21, o Ministério da Fazenda.

Estudo elaborado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) da pasta traçou impactos do processo que vive a estatal neste ano sobre o PIB de forma direta, indireta e sobre as empreiteiras contratadas.  

De acordo com a Fazenda, ao longo de 2015, a Petrobrás anunciou várias reduções de investimentos em resposta à mudança do ambiente econômico. No início do mês, a empresa comunicou redução do investimento planejado para este ano de US$ 28 bilhões para US$ 25 bilhões. Comparado com o valor do investimento realizado em 2014, que foi de US$ 37,1 bilhões, configura-se uma redução de 33% para o ano de 2015.  

Na avaliação do ministério, o redimensionamento dos investimentos na estatal tem impacto não desprezível na economia. Segundo o levantamento, os investimentos da Petrobrás são responsáveis por aproximadamente 1,8% do PIB. "Admitindo-se que a redução dos investimentos da Petrobrás em bens e serviços domésticos dê-se na mesma proporção, de 33%, haveria queda de 0,6 ponto porcentual no PIB", avalia.  

A retração de investimento ainda traz um efeito multiplicador, o que faria o impacto negativo da redução do plano de negócios ser da ordem de 1,7% do PIB.  Foi calculado ainda o impacto sobre as atividades dos grandes contratados da Petrobrás.

A conclusão do ministério foi que a redução global dos investimentos realizados pelas empreiteiras corresponderia a uma queda de 0,4% do PIB.  "Esse impacto (total de mais de 2 pontos porcentuais do PIB evidentemente é muito maior do que o possível efeito contracionista ao longo do ano da variação muito modesta nas alíquotas de alguns impostos, como a Cide ou PIS-Cofins da importação", ressaltou o estudo, ao reconhecer que a principal ação tributária proposta pelo governo federal este ano, de redução da desoneração da folha de pagamento, só começará a ter efeito em 2016.  

O ministério lembra ainda que a deterioração da economia em 2015 traduziu-se em uma forte contração das receitas tributárias, o que exigiu contenção adicional do gasto público e esforço adicional para a obtenção de receitas extraordinárias, "operações de mercado com expectativa de realização ao final do terceiro trimestre".


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