Frentista vira 'garoto-propaganda' de novos negócios

Como a legislação brasileira inibe o autosserviço, Ipiranga busca aproveitar melhor a força de trabalho

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2014 | 02h05

Ao vender bem mais do que combustível no posto, o grupo Ultra vai aumentar a produtividade dos frentistas - uma função que praticamente inexiste em outros mercados, como o americano e europeu.

Segundo Jerônimo Santos, diretor de marketing da Ipiranga, a venda de combustível em autosserviço, em que o cliente enche o próprio tanque, é proibida no Brasil. "É uma regra que tem o objetivo de proteger o emprego", diz.

Como é forçada a ter 70 mil frentistas em todo o País, a companhia está buscando uma forma de extrair mais receita desses trabalhadores. É por isso que a venda do Connect Car, a oferta de alguns produtos financeiros disponíveis na loja de conveniência AM/PM e o encaminhamento do cliente ao Jet Oil - serviço de troca de óleo automotivo - está a cargo desses profissionais.

Segundo o diretor de marketing, o cliente pode esperar que o frentista tenha na ponta da língua as diferentes ofertas do posto Ipiranga. Isso porque, para incentivar o ímpeto comercial desses trabalhadores, o grupo Ultra estabeleceu remuneração variável por resultados. Quem conseguir convencer o cliente a experimentar serviços além do abastecimento do carro, ganha um bônus de incentivo. 

Para reforçar essa estratégia, os frentistas figuram entre os personagens principais da campanha de seis filmes criada pela agência Talent para o reposicionamento do posto Ipiranga como um local de serviços. É por isso que a campanha continua a usar a expressão "Pergunta Lá". E quem terá as respostas sobre os novos serviços serão justamente os frentistas.

De acordo com João Livi, diretor de criação da Talent, a ideia dos filmes é mostrar a marca Ipiranga como "ponto de encontro" de pessoas que buscam diferentes tipos de serviço. "É um lugar onde as pessoas podem resolver várias coisas ao mesmo tempo, e com segurança", explica o publicitário. É por isso que cada filme foca um diferente "negócio" presente no posto, como a loja de conveniência, o Connect Car, os produtos financeiros e a Jet Oil.

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