Frete oceânico deve cair com retração da demanda da China

Especialistas estimam que os preços do frete cairão 30% no terceiro trimestre, ante o segundo trimestre

Ana Conceição, da Agência Estado,

19 de agosto de 2009 | 15h07

As tarifas de frete oceânico devem cair durante o terceiro trimestre, acompanhando a diminuição da demanda da China por matérias-primas, afirmam analistas. Um eventual crescimento das compras de outros países não deverá compensar o efeito chinês.

 

Em agosto, o índice de cargas secas do Báltico (Baltic Dry Index), registrou sua maior queda desde outubro, quando esteve abaixo dos custos operacionais. O BDI é referência para os preços do frete de materiais como fertilizantes, minério de ferro, carvão e grãos, e um indicador importante do comércio global de commodities.

 

O BDI caiu 90 pontos nesta quarta-feira, para 2.614, bem abaixo da máxima de 4.291 alcançada em 3 de junho. O valor, contudo, é quatro vezes maior que a mínima registrada em 22 de dezembro de 2008. A forte demanda chinesa por minério de ferro e carvão, principais ingredientes da produção de aço, ajudaram o índice a disparar na primeira metade de 2009.

 

Até julho, a China estava comprando quase 55% do comércio global de minério de ferro, e cerca de 10% do de carvão. Grandes filas formadas nos principais portos ajudaram a elevar as tarifas de frete, mas essa situação não deve se repetir nos próximos meses. "Não há dúvidas de que (as tarifas) dos últimos meses não têm precedentes e são insustentáveis", afirmou Peter Hickson, diretor-gerente de estratégia global para matérias-primas do UBS AG. Ele estima que o índice BDI caia 30% no terceiro trimestre, ante o segundo trimestre, com os sinais de arrefecimento da demanda chinesa por minério. Em junho, essa previsão era de queda de 15%.

 

Navios do tipo capesize, o maior das quatro classes de embarcações que entram no cálculo do BDI, são o principal meio de transporte de minério nas principais rotas do Brasil e da Austrália para a China. A atividade desse tipo de navio foi o impulso por trás do BDI desde que o setor de transporte de cargas marítimas chegou a uma situação de quase paralisação, no final de 2008. A tarifa média de aluguel do capesize foi a US$ 90 mil por dia em junho, de US$ 9 mil em janeiro. Nesta quarta-feira, 19, está em cerca de US$ 43 mil/dia. As tarifas de outros tipos de embarcação não registraram tal aumento.

 

A China estava importando muito minério de ferro para satisfazer a demanda provocada pelo pacote de estímulo do governo. Mesmo durante a recessão mundial, as importações chinesas do produto da Austrália e do Brasil cresceram 43% de janeiro a junho de 2009, ante o mesmo período do ano passado. A produção de aço em junho subiu 5,3% ante o sexto mês de 2008.

 

"A demanda não vai entrar em colapso ou cair pela metade, mas o país não pode manter essas taxas de importação. O próximo aumento de demanda deverá vir da OCDE. Do contrário, as tarifas vão cair", afirmou Amrita Sen, analista do Barclays Capital, em Londres.

 

O mercado já está precificando tarifas menores por conta da expectativa de queda na demanda chinesa, afirmou Richard Bowler, diretor de commodities do Citigroup. Ele estima que no quarto trimestre as tarifas diárias do capesize vão cair para US$ 37 mil. Em 2010, esse valor poderá chegar a US$ 29.250 por dia. As informações são da Dow Jones.

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