Friboi desiste de frigorífico nos EUA

Compra da National Beef, um negócio de US$ 560 milhões, enfrentava dificuldades por questões concorrenciais

TATIANA FREITAS, O Estadao de S.Paulo

21 de fevereiro de 2009 | 00h00

Após uma grande expansão, baseada em aquisições de empresas no exterior, o frigorífico brasileiro JBS Friboi, líder mundial em carne bovina, sofreu um revés nos Estados Unidos. O grupo anunciou a desistência da compra da americana National Beef, um negócio de US$ 560 milhões, alegando não ter conseguido encontrar "condições satisfatórias" para solucionar o processo judicial no país que tentava bloquear a compra, por motivos concorrenciais.Se concluísse a compra do National Beef, anunciada em março, o Friboi teria posição dominante no mercado de carne bovina dos Estados Unidos. O grupo brasileiro já é dono da gigante Swift e dos frigoríficos Smithfield Beef e Five Rivers. O National Beef é o quarto maior produtor americano de carne. Além dos Estados Unidos, o Friboi tem também operações na Austrália, Itália e Argentina, além do Brasil.O presidente do JBS Friboi, Joesley Batista, informou que os recursos que iriam para a compra da National Beef vão ficar no caixa da empresa, já que o grupo não prevê novas aquisições este ano. Segundo ele, este é o momento de preservar o caixa e trabalhar para reduzir o nível de alavancagem do grupo. "Não pensamos em aquisições. Este não é o momento de falar em compras. Pensamos em seguir bastante saudáveis para, no momento em que o mercado retornar, possamos estar fortes para voltar a comprar e crescer", disse."Quando há farta liquidez, faz todo o sentido aproveitar o momento, mas mudamos a nossa forma de atuar quando percebemos a mudança de cenário", disse o executivo, referindo-se à crise financeira. "Optamos por desalavancar a companhia e melhorar a posição de caixa. Apesar de termos sido uma das empresas mais agressivas em aquisições, chegamos ao final de 2008 extremamente conservadores."BALANÇOO Friboi anunciou ontem um prejuízo líquido consolidado de R$ 53,5 milhões no quarto trimestre, uma redução de 60,7% em relação ao prejuízo de R$ 136,1 milhões do mesmo período de 2007. A receita líquida no período cresceu 44,8% na mesma base de comparação, chegando a R$ 9,6 bilhões. No acumulado de 2008, a empresa teve lucro de R$ 25,9 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 165 milhões no ano anterior. A receita líquida anual cresceu 114,5%, para R$ 30,3 bilhões.Joesley Batista estima que a receita líquida da companhia este ano ultrapasse os R$ 40 bilhões. "Os números de todo o ano de 2008 ainda não consideram a Smithfield, Five Rivers e Tasman (empresas compradas no ano passado), que foram sendo incorporados aos poucos. No quarto trimestre, já tivemos mais de R$ 9 bilhões em receita. Mesmo se não tivermos aquisição nenhuma este ano, já somos uma empresa de R$ 40 bilhões em vendas. Seguramente vamos atingir um valor superior a este em 2009", disse, durante conferência com jornalistas.Apesar da crise financeira global, o executivo acredita que será possível manter a participação de um terço que as exportações têm no faturamento da empresa. Nos doze meses de 2008, as vendas externas da empresa representaram 32% da receita bruta da companhia, totalizando US$ 5,6 bilhões, contra 68% de participação do mercado doméstico.

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