Frigorífico Frigol pede recuperação judicial

Com dificuldades financeiras, empresa segue os passos de grupos como Independência e Frialto

Raquel Landim, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2010 | 00h00

A lista de frigoríficos em dificuldades financeiras está cada vez mais extensa. Ontem, o Frigol, do interior de São Paulo, entrou com um pedido de recuperação judicial. Trata-se de uma espécie de prazo que a empresa solicita à justiça para pagar suas dívidas antes que sua falência seja decretada.

O Frigol é um frigorífico de porte médio, com capacidade para abater 2,7 mil bois por dia e que gera 1,5 mil empregos diretos. A empresa está entre as 10 maiores do setor, mas distante dos gigantes JBS e Marfrig.

O perfil da companhia é parecido ao de outros frigoríficos que enfrentam dificuldades ou fecharam as portas. Entre os casos recentes estão Pantanal, Independência, Margen, Arantes, Frigoestrela e Frialto.

Também ontem , o grupo Frialto entregou à Justiça do Mato Grosso o seu plano de recuperação judicial. A empresa revelou que sua dívida é de R$ 564 milhões - R$ 453 milhões com os bancos e R$ 97 milhões com os pecuaristas, entre outros. O Frialto anunciou o pedido de recuperação judicial em maio.

O Frigol ainda não revelou o montante de suas dívidas. O diretor e sócio da empresa, Djalma de Oliveira, não quis dar entrevista. O frigorífico paulista produzia 200 mil toneladas de carne bovina por ano e exportava para diversos países. A companhia possui três unidades de abate: Lençóis Paulista, no interior de São Paulo, onde está a sede da companhia, Água Azul do Norte, no Pará, e Pimenta Bueno, em Rondônia. Essa última foi inaugurada em janeiro.

Segundo fontes do setor, o Frigol estava atrasando o pagamento dos fornecedores, mas, mesmo assim, a notícia pegou pecuaristas e concorrentes de surpresa. "Não entendo as razões disso. O Frigol sempre foi uma empresa sólida e com boa gestão", disse Péricles Salazar, presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).

Uma fonte ligada à companhia disse ao Estado que os dirigentes do Frigol fizeram uma peregrinação pelo governo federal em busca de crédito para reerguer a empresa. Bateram em todas as portas: BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Mas não tiveram sucesso.

A crise global secou os fluxos de crédito privado para o setor de frigoríficos e o Frigol começou a enfrentar dificuldades para organizar seu fluxo de caixa. Nos últimos dois anos, a empresa trabalhou com margens de lucro reduzidas. Tenta conseguir crédito há 14 meses.

BNDES. Os frigoríficos menores estão reclamando da concentração de recursos do BNDES em poucas empresas. Nos últimos quatro anos, o banco estatal investiu R$ 18,5 bilhões no setor em compra de participação e empréstimos. Mas a maior parte do dinheiro foi direcionado ao processo de internacionalização do JBS e do Marfrig.

Segundo o analista da FNP Consultoria, José Vicente Ferraz, o gigantismo dessas empresas está provocando um "desequilíbrio no setor". Ele explica que o gado está "escasso" no campo e os pecuaristas preferem vender seu boi para as grandes empresas.

Apesar do crescimento do mercado interno e das boas perspectivas para o futuro, o setor de carne bovina enfrenta dificuldades desde a crise. A turbulência pegou as empresas alavancadas e fortemente endividadas, após tomarem diversos empréstimos para projetos de expansão.

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