Frigoríficos de SP podem demitir 21 mil funcionários

Os frigoríficos de São Paulo, responsáveis por 70% das exportações de carne bovina do País, calculam que vão demitir 21 mil trabalhadores se em 30 dias não houver mudança no cenário de crise aberta pela descoberta dos focos de febre aftosa no Estado do Mato Grosso do Sul.O aviso foi dado hoje pelo presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas do Estado de São Paulo, Edvar Vilela Queiroz, durante encontro com sindicalistas ligados à Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Estado de São Paulo, realizado na Força Sindical, em São Paulo.Os grandes frigoríficos exportadores, como o Bertin, Minerva e Friboi, cujas principais unidades de produção ficam em São Paulo, são os maiores compradores do gado do Mato Grosso. Eles reduziram drasticamente os abates e iniciaram um processo de dispensa dos trabalhadores, primeiro com férias coletivas e posteriormente com demissões. Até ontem, pelo menos 2 mil trabalhadores haviam sido colocados em férias pela indústria frigorífica de São Paulo.De acordo com Queiroz, o embargo dos principais países compradores à carne do Estado de São Paulo pode fazer com que os frigoríficos eliminem 30% dos seus 70 mil empregos diretos a partir de um mês. "São trabalhadores com carteira assinada, que correm risco de demissão se os governos Federal e Estadual não conseguirem afrouxar o embargo à carne de São Paulo em 30 dias", afirmou.ProtestosNa tentativa de resolver o problema, vale de tudo, até parar a avenida Paulista com uma boiada num protesto marcado para a próxima quinta-feira, e cobrar créditos de exportação retidos pelo Governo. Segundo Queiroz, se o governo paulista liberar os créditos retidos em ICMs é possível que os frigoríficos adiem as demissões por 60 dias. Ele não soube dizer qual o volume de créditos bloqueados.O presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação, Melchíades Araújo, disse que uma força-tarefa formada por patrões e empregados vai tentar se reunir com o governador Geraldo Alckmin e com o ministro Roberto Rodrigues "para sensibilizá-los pelo desastre social que essas demissões vão causar".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.