Frigoríficos mudam origem da carne para exportar aos EUA

Produtores estão redirecionando seus embarques para os Estados Unidos para outros países do Mercosul

Alexandre Inacio, da Agência Estado,

04 de agosto de 2008 | 18h27

Com a suspensão temporária das exportações de carne bovina industrializada do Brasil para os Estados Unidos os frigoríficos que mantêm negócios com o mercado americano estão redirecionando seus embarques para outros países do Mercosul. A suspensão dos certificados de exportação foi confirmada na sexta-feira pelo Ministério da Agricultura. Dentro deste novo contexto, o Marfrig informou que irá atender o mercado americano pelas unidades que possui no Uruguai e na Argentina, enquanto as restrições do Brasil permanecerem. "No acumulado dos seis primeiros meses de 2008 as vendas de carne cozida aos Estados Unidos responderam por 4,2% das nossas exportações de carne bovina processada a partir do Brasil", disse a empresa em nota enviada ao mercado. No JBS-Friboi, que teve uma das plantas suspensas antes da ampliação da restrição, a estratégia também é atender o mercado a partir de outros países. A empresa informou que utilizará a estrutura que possui na Argentina e nos Estados Unidos para abastecer o mercado americano. "Do total de exportações da JBS no Brasil no segundo trimestre de 2008, os Estados Unidos representaram menos de 3% da receita sobre as exportações da empresa", diz nota da empresa. Já o Bertin informou que a carne que seria destinada aos Estados Unidos será direcionada para outros mercados em potencial, inclusive o mercado interno, até que a restrição do governo brasileiro seja suspensa. "Não haverá queda no volume de produção e as remessas para os demais países continuam normalmente", disse a empresa. Na sexta-feira, o governo disse que espera que o Brasil volte a exportar para os Estados Unidos dentro de um prazo máximo de três semanas. Durante reunião em Washington, entre o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério, Inácio Kroetz, e representantes do Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar (FSIS, na sigla em inglês) do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), ficou acertado que será adotado um cronograma de ações corretivas, que inclui o treinamento e reciclagem de técnicos do Serviço de Inspeção Federal (SIF), das empresas, além das auditorias com equipes especialmente capacitadas neste programa.

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