Frio ameaça liquidações de inverno

O inverno de verdade, pelo menos o oficial, se inicia amanhã à noite, mas o frio intenso de maio e do início de junho já desfalcou estoques do comércio de vestuário e começa a alterar o calendário de liquidações da cidade de são Paulo. A Riachuelo, por exemplo, vendeu em quase dois meses 80% do estoque de inverno."Tivemos de repor algumas peças no atacado de pronta entrega e este ano não vamos ter liquidação por falta de mercadoria", diz o diretor comercial da Riachuelo, Newton Rocha. O faturamento da rede, com a ajuda da queda dos termômetros, cresceu 25% em relação ao mesmo período do ano passado. Rocha explica que no início do ano havia planejado um aumento de 20% nas encomendas de outono/inverno por acreditar num aquecimento da economia. "Foi o que em parte nos salvou. Se tivéssemos previsto tantos dias frios daria para ter investido muito mais", diz. Ele calcula que o estoque termine, no máximo, na primeira quinzena de julho, dependendo do frio. "Em agosto entramos com a coleção de primavera-verão." O Central Plaza Shopping, com 180 lojas, depois de uma reunião de lojistas na semana passada, desistiu da liquidação de inverno. "Ninguém se preparou. Várias vitrines só estão com jeans e pashiminas. Casacos já são mais difíceis de achar," diz a gerente de marketing do shopping, Kelli Calijuri. No Interlagos, a tradicional liquidação "Preto no Branco" está sendo reavaliada. O segmento de moda no shopping está com vendas 16% superiores às do mesmo período de 2003. "Se o frio se estender e as mercadorias de inverno sumirem, não vamos fazer liquidação", diz a superintendente do Interlagos, Carla Bordon Gomes. O presidente da Associação dos Lojistas de Shopping (Alshop), Nabil Sahyoun, vai manter o "Liquida São Paulo", mas mudou a data. "Era no fim de julho, mas vai ficar para a segunda quinzena de agosto porque as vendas estão muito boas", diz. Em relação ao risco de falta de produtos, ele argumenta que os lojistas podem colocar em promoção roupas de meia estação e algumas sobras. "Mas torcemos para o frio continuar." Novas frentes friasA meteorologia prevê temperaturas entre 11 e 25 graus para o primeiro dia de inverno. Mas novas frentes frias são aguardadas neste período, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia. A explicação dos especialistas é que este é um outono/inverno "normal", com o frio esperado para a estação. Nos anos anteriores é que a estação foi atípica e quente por influência intercalada do El Niño e La Niña. O presidente da Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), Roberto Chadad, lembra que no ano passado sobraram 30 milhões de peças por falta de frio. Este ano, as confecções estão a todo vapor. Na Hering, as vendas em maio ficaram 40% acima de igual período de 2003 e cresceram 50% na primeira quinzena de junho, na mesma comparação. A Hering preparava a coleção de primavera, mas parou a produção para atender à demanda do inverno. O diretor da rede TNG, de moda jovem, Tito Bessa, diz que está estocado, mas tem se abastecido no atacado. "Mas, se o frio continuar intenso, vai faltar mercadoria."

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