Frota cresce, mas infra-estrutura não

Empresários criam grupo de trabalho para estudar alternativas que possibilitem ao País ter mais mobilidade

O Estadao de S.Paulo

29 de setembro de 2007 | 00h00

Desde o início do ano, os brasileiros já compraram 1,72 milhão de carros novos, volume 27% maior que o de 2006. São 380 mil veículos a mais nas ruas. Ao mesmo tempo em que a indústria comemora recordes, cresce a percepção de que o País não tem infra-estrutura para continuar crescendo nesse ritmo. A continuar nessa velocidade, o drama diário dos congestionamentos pode deixar de ser visto como sinal de vigor econômico e transformar-se em fator de ameaça aos investimentos.O problema agravou-se de tal forma que motivou a criação de um grupo de empresários que vai propor projetos para o País melhorar sua mobilidade. As propostas vão da melhor eficiência do transporte público à novas tecnologias para os carros, como um sistema via satélite que informa sobre acidentes segundos após a ocorrência.O grupo, coordenado pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA)trabalha em parceria com a Ertico, entidade da Europa que faz diagnósticos e financia projetos na área de trânsito. Em 2006, a entidade formada por representantes dos governos dos países da União Européia e empresas privadas criou o Projeto Simba, uma rede de cooperação internacional para pesquisas em países emergentes.''''A falta de mobilidade pode afastar investimentos de uma cidade'''', diz a gerente de projetos da Ertico, Mariana Behr de Andrade. Ela está no País para participar, quinta-feira, do Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva no qual serão apresentados projetos para melhorar o trânsito em São Paulo. Além do Brasil, o Simba envolve a África do Sul, China, Índia e Rússia, que enfrentam problemas similares. ''''É possível que um mesmo projeto seja aplicado em vários países'''', diz Daniel Zacarias, da AEA, e responsável pelo Simba no País.Entre as empresas que participam do projeto no Brasil estão Volkswagen, Ford, GM, Fiat, Magneti Marelli, Siemens, Visteon, Delphi, Porto Seguro e as universidades USP e UFRJ.A Ertico tem 4 bilhões para aplicar em projetos nesses países e na Europa. Uma das propostas a serem apresentadas no seminário é a da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET)sobre informações de trânsito em tempo real. A idéia é espalhar painéis em pontos estratégicos da cidade, parecidos aos já disponíveis em estradas, com informações sobre congestionamentos, acidentes e indicações de rotas alternativas. Na Europa, os motoristas recebem essas informações no próprio computador de bordo do automóvel, solução que poderá ser adotada no Brasil futuramente.''''Vamos avaliar as ações que poderão ser implantadas a partir de 2008'''', afirma Mariana. Ela reconhece que muitas medidas dependem de infra-estrutura e dos governos locais, mas há projetos que podem ser feitos em parceria e outros que são de interesse da própria iniciativa privada.CHAMADA DE EMERGÊNCIAOutro projeto que será apresentado é o da instalação nos automóveis do sistema denominado E-call (chamada de emergência). ''''É uma caixa preta que informa imediatamente a uma central que houve um acidente. A central repassa a informação ao órgão competente e este providenciará o socorro'''', diz Ricardo Takahira, engenheiro da Magneti Marelli, empresa que já produz o sistema na Europa, onde a instalação nos carros será obrigatória a partir de 2010.O sistema reconhece o acidente por ser conectado a equipamentos como air bag (que dispara quando ocorre acidente) e sensor inercial (corta a alimentação da bomba de combustível). O software repassa a informação por meio de GPS de navegadores e GSM de celulares.Segundo Takahira, o E-call utiliza a mesma tecnologia que será adotada para a instalação de dispositivos de localização que serão obrigatórios nos carros brasileiros a partir de 2008, o que pode reduzir o custo de instalação. O E-call, reforça o engenheiro, não vai evitar o acidente, mas o socorro rápido pode diminuir mortes e seqüelas.No Brasil, os custos anuais de acidentes de trânsito são estimados em R$ 28 bilhões. Os dados apontam para 34 mil mortes ao ano, 100 mil pessoas com deficiências temporárias ou permanentes e 400 mil feridos.Na Europa, onde há transporte público eficaz e os carros são mais seguros, 45 mil pessoas morrem ao ano em acidentes. ''''Em 1990 eram 70 mil mortes, mas há compromisso dos governos em adotar medidas para reduzir o índice à metade até 2010'''', diz Mariana.

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