José Cruz/Agência Brasil
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Frustração com leilão do pré-sal influenciou alta recente do dólar, diz presidente do BC

Segundo Campos Neto, agentes do mercado 'esperavam uma entrada maior do que ocorreu' na oferta de áreas de exploração de petróleo

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2019 | 14h57

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta terça-feira, 19, que a "frustração" com o megaleilão do pré-sal foi um dos fatores que influenciaram a alta recente do dólar. Nesta terça, o dólar chegou a ser negociado a R$ 4,2195, após ter batido na véspera seu recorde nominal histórico de fechamento.

"Movimento mais recente que ocorreu foi por conta da cessão onerosa, que alguns agentes do mercado esperavam uma entrada maior do que ocorreu. Então, como a entrada de recursos foi menor do que a esperada, e muitos agentes de mercado se posicionaram para capturar esse dólar caindo, você tem agora uma volta (do dólar para cima)]" explicou ele, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal.

Segundo Campos Neto, essa é somente parte da explicação. Ele disse, ainda, que há exportadores que estão demorando para trazer os recursos das vendas externas para o país e que empresas, como a Petrobrás, estão trocando dívida externa por endividamento doméstico.

"São várias explicações. Mais recentemente, houve uma frustração com a cessão onerosa", afirmou.

Ele também negou que o presidente Jair Bolsonaro tenha ligado, na segunda-feira, 18, para perguntar sobre o nível recorde registrado pelo dólar: "Meu telefone não tocou (...) Ele tem meu telefone. Quando ele liga, eu atendo".

O presidente do BC avaliou, ainda, que a alta do dólar, ao contrário do registrado anteriormente, veio acompanhada de melhora de percepção de risco pelo mercado financeiro e não influenciou a expectativa de inflação.

"Essa desvalorização do câmbio, ao contrário do que acontecia no passado, veio acompanhada de melhora de percepção de risco. Você teve uma desvalorização que não influenciou expectativa de inflação. As inflações esperadas futuras caíram. Entendemos que a forma de atuar era diferente. Se, por uma razão, uma desvalorização contínua começar a afetar o canal de expectativas de inflação, vamos ter que fazer uma atuação diferente".

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