José Cruz/Agência Brasil
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Ouro é o investimento com melhor retorno no 1º semestre. Bolsa, o pior

Frustração com pré-sal puxou alta do dólar, diz BC

Apesar disso, Campos Neto afirma em audiência pública no Senado que avanço da moeda americana não afeta expectativas de inflação

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2019 | 04h00

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou ontem que a “frustração” com o megaleilão do pré-sal foi um dos fatores que influenciaram a alta recente do dólar. Ele ponderou, porém, que a valorização da moeda americana não afetou as expectativas de inflação.

“Essa desvalorização do câmbio, ao contrário do que acontecia no passado, veio acompanhada de melhora de percepção de risco. Você teve uma desvalorização que não influenciou expectativa de inflação. As inflações esperadas futuras caíram. Entendemos que a forma de atuar era diferente. Se, por alguma razão, uma desvalorização contínua começar a afetar o canal de expectativas de inflação, vamos ter de fazer uma atuação diferente”, afirmou Campos Neto, em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Na terça-feira, 19, o dólar fechou em queda após dia de instabilidade. A moeda americana caiu 0,16%, a R$ 4,1989. Na máxima do dia, chegou a subir 0,32% a R$ 4,2195. 

Os economistas do mercado financeiro projetam que a inflação deve fechar este ano em 3,33%, abaixo da meta central de 4,25%. O intervalo do sistema de metas varia de 2,75% a 5,75%. A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional. Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros. Para 2020, o mercado financeiro manteve em 3,60% sua previsão. No próximo ano, a meta central de inflação é de 4,0% e terá sido oficialmente cumprida se o IPCA oscilar entre 2,5% e 5,5%.

Megaleilão

Segundo Campos Neto, a “frustração” com o leilão do pré-sal foi um dos fatores que contribuíram para o aumento do dólar porque se esperava uma entrada maior de moeda estrangeira. O governo federal arrecadou R$ 69,96 bilhões com a venda de duas áreas na Bacia de Santos. A expectativa da equipe econômica era conseguir R$ 106,6 bilhões. 

“Então, como a entrada de recursos foi menor do que a esperada, e muitos agentes de mercado se posicionaram para capturar esse dólar caindo, você tem agora uma volta (do dólar para cima)” explicou Campos Neto. Mas essa não é a única razão. Segundo o presidente do BC, exportadores estão demorando para trazer os recursos das vendas externas para o País e empresas, como a Petrobrás, estão trocando dívida externa por endividamento doméstico. “São várias explicações. Mais recentemente, houve uma frustração com a cessão onerosa”, concluiu.

Campos Neto negou que o presidente Jair Bolsonaro tenha ligado, na segunda-feira, para perguntar sobre o nível recorde registrado pelo dólar: “Meu telefone não tocou (...) Ele tem meu telefone. Quando ele liga, eu atendo”. 

Ao ser questionado por jornalistas na segunda-feira sobre a cotação da moeda americana, Bolsonaro disse: “Quer o telefone do Roberto Campos?”. 

Moeda deve ficar sob pressão até o fim do ano

O dólar chegou a flertar com um novo recorde histórico na manhã de quarta-feira, 19, mas virou o sinal e terminou o dia em queda de 0,16%, aos R$ 4,1989. A avaliação dos operadores ouvidos pelo Estadão/Broadcast é de que, apesar do leve recuo, uma conjuntura de fatores não ajuda o real e o câmbio deve continuar pressionado pelo menos até o fim do ano. “O período de remessa de lucros pelas empresas é uma questão sazonal que afeta o câmbio”, exemplificou o economista-chefe da Guide Investimentos, João Mauricio Rosal. 

Até agora, o movimento predominante no mês tem sido de alta: em novembro, a moeda americana já tem valorização acumulada de 4,73% ante o real. 

Também ajudou a pressionar a cotação a decepção com uma entrada massiva de fluxo estrangeiro com o leilão da cessão onerosa (pré-sal), o que não se concretizou. Sem a entrada dos dólares esperados no País, a cotação se ajusta a fatores sazonais. Além disso, as tensões na América Latina e a cautela com as notícias ora positivas, ora negativas das negociações comerciais entre China e Estados Unidos colocam mais peso na balança contra o real. / BÁRBARA NASCIMENTO

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