FT aconselha investidores a terem "plano de saída" da AL

O jornal Financial Times, em editorial publicado hoje, alerta os investidores sobre os riscos políticos na América Latina e os aconselha a ter um plano de saída da região. O diário financeiro mais prestigiado do mundo menciona as declarações nesta semana do presidente do Citibank, William Rhodes, que disse que os investidores podem estar subestimando os riscos provenientes de políticas fracas e crescimentos baixos na região. "Tamanha é a liquidez nos mercados financeiros internacionais que os bons tempos poderão durar por algum tempo", disse o FT. "Mas confiança pode se evaporar rapidamente. Os investidores deveriam se garantir com uma estratégia de saída bem planejada." O jornal observa que no Brasil - "cuja ampla expectativa de ascensão ao grau de investimento está no centro da ebulição do mercado financeiro" - os investidores não se abalaram com a saída de Antônio Palocci do ministério da Fazenda. "Entretanto, a falta de disposição do governo em contemplar novas reformas fiscais, como por exemplo mudanças no seu oneroso sistema previdenciário, é preocupante", disse. Peru O jornal avalia o primeiro turno das eleições no Peru que será realizado no próximo domingo, na qual o candidato Ollanta Humala, "um ex-oficial do Exército nacionalista radical", é um dos favoritos. "Essa perspectiva vai preocupar os investidores externos expostos aos lucrativos setores de mineração e hidrocarbonos do Peru pois Humala está comprometido com a elevação dos impostos e a revisão de contratos", disse. "Mas também deve interessar aos investidores de portfolio que têm regado dinheiro nos mercados financeiros da América Latina." Diante da forte performance da região nos últimos dois anos, argumenta o FT, esse otimismo não deveria surpreender. "Mas o mercado está prestando muito pouca atenção a tendências políticas preocupantes, disse. "É verdade que governos de esquerda que chegaram ao poder nos últimos cinco anos têm promovido políticas fiscais e monetárias cautelosas e a inflação na maioria dos países declinou. Mas um populismo menos pró-mercado e mais virulento - exemplificado por Humala - está emergindo em alguns países." O jornal cita também os casos da Venezuela, Argentina e Bolívia. O FT alerta que o Brasil e o México, "as economias maiores e mais sofisticadas da região, podem não estar completamente imunes desta onda populista, como resultado, em parte, dos contínuos níveis elevados de exclusão social e pobreza". Segundo o jornal, os mercados esperam que o ex-prefeito de esquerda da Cidade do México, Manuel López Obrador, que tem liderado há mais de um ano as pesquisas de intenção de voto para as eleições de julho, manterá políticas monetária e fiscal cautelosas caso eleito. "Mas a exemplo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - a quem ele está sendo comparado - Obrador poderá se distanciar das reformas necessárias para um crescimento econômico mais sustentável e mais rápido", disse.

Agencia Estado,

07 Abril 2006 | 07h49

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.