FT alerta investidores sobre riscos na América Latina

O jornal Financial Times, em editorial publicado hoje intitulado "Exuberância latina", alerta os investidores sobre os riscos políticos na América Latina. "Nunca foi uma tarefa fácil se avaliar o risco político nos mercados emergentes, mas muitos investidores parecem estar ignorando isso completamente na América Latina", disse o diário britânico. "Numa época em que a política na região vive a pior fase dos últimos tempos, gerentes de fundo estão colocando dinheiro em seus mercados financeiros num ritmo frenético."Os mercados acionários no Brasil e México têm quebrado sucessivos recordes, as moedas da região estão se fortalecendo e os yields dos bônus brasileiros atingiram níveis inéditos desde a véspera da crise financeira na Ásia em 1997. Até mesmo a Argentina convenceu os investidores internacionais a adquirirem seus bônus em dólares com taxas de juros não muito superiores às do Brasil.O FT observa que esse entusiasmo tem uma explicação. A liquidez internacional é enorme diante dos baixos juros nos Estados Unidos e a demanda chinesa e de outros países asiáticos continua sustentando os preços das commodities. Além disso, após os choques financeiros de 2000 e 2001, a maioria dos países latino-americanos melhorou seu gerenciamento fiscal e monetário. As suas reservas estão crescendo e suas dívidas declinando.Mesmo assim, observa o FT, as taxas de crescimento da região são medíocres. A América Latina também tem obtido poucos avanços na implementação de reformas estruturais, nas melhoras institucionais e nos investimentos em infra-estrutura, fatores necessários para garantir uma expansão mais sustentável e rápida.As reformas foram suspensas no México e desaceleradas para um "ritmo de lesma" no Brasil, onde um escândalo de corrupção paralisou a atividade parlamentar nos últimos quatro meses. "Pressões eleitorais (11 eleições presidenciais vão ocorrer nos próximos 15 meses) dificilmente vão ajudar isso, sendo muito improvável que os atuais governantes tomem decisões que prejudiquem suas perspectivas nas eleições."Na verdade, ressalta o FT, algumas partes da região dão mostras que as coisas estão retrocedendo, com governantes defendendo políticas populistas. Como exemplo, o jornal cita a Argentina e a Venezuela. "No melhor dos cenários, isso tudo significa que com algumas exceções - o Chile continua sendo um caso a parte - a América Latina está fracassando em capitalizar totalmente as circunstâncias que a estão beneficiando", disse. "No pior, a região está perigosamente vulnerável a um choque externo ou a uma reviravolta do humor nos mercados internacionais."

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