'FT' fala em novo socorro à Espanha

Informação de que país estaria em negociações com a UE ajudou a reverter o mau humor das bolsas por causa da economia chinesa

LONDRES, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2012 | 03h07

As autoridades da União Europeia (UE) estão trabalhando nos bastidores na preparação de um novo pacote de ajuda financeira à Espanha, que incluiria compras de bônus espanhóis pelo Banco Central Europeu (BCE), segundo reportagem do jornal britânico 'Financial Times'. O programa econômico deverá ser anunciado na próxima quinta-feira, dia 27.

Funcionários envolvidos nas negociações disseram ao FT que as conversas estão focalizadas nas medidas que os credores multilaterais exigiriam da Espanha como condição para a concessão de mais auxílio, de modo a assegurar que haja um acordo sobre elas antes de o país fazer formalmente um pedido de ajuda. Segundo um dos funcionários, as negociações estão sendo conduzidas diretamente com o ministro de Finanças da Espanha, Luis de Guindos e estão centradas em reformas estruturais, e não em novas medidas de austeridade.

Ainda ontem, no fim do dia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que a necessidade de recapitalização dos bancos espanhóis é menor do que alguns temiam.

As notícias reverteram o humor do mercado financeiro com as bolsas recuperando um pouco das perdas acumuladas durante o dia. Mesmo que de fontes não reveladas, a informação se sobrepôs aos indicadores negativos da Europa e da China e às tensões que envolvem justamente a Espanha.

Indústria chinesa. O dia começou ontem com mais um indicador negativo vindo da economia chinesa. O setor industrial do país sofreu contração pelo 11.º mês seguido em setembro, de acordo com a pesquisa Índice de Gerentes de Compra (PMI), indicando que a segunda maior economia do mundo permanece no caminho de um sétimo trimestre de crescimento lento.

O PMI preliminar do HSBC mostrou que a atividade se estabilizou em setembro após atingir uma mínima de nove meses em agosto, com o indicador subindo para 47,8 ante 47,6 no mês passado.

Mas embora a economia possa não ter piorado, houve poucos sinais de uma mudança. Em vez disso, o PMI, que fornece uma primeira ideia das condições da indústria chinesa em setembro, indicou um mês em que o declínio foi suspenso, mas não revertido.

A leitura de setembro amplia o período mais longo em que o PMI permanece abaixo da marca de 50 que separa contração de expansão desde que o HSBC começou a realizar a pesquisa em 2004. Houve uma estabilização entre os subíndices da pesquisa, com exceção do de produção, que atingiu o menor nível em 10 meses.

"O crescimento industrial da China ainda está lento, mas o ritmo da desaceleração está se estabilizando. As atividades industriais permanecem sem brilho, por causa dos fracos fluxos de novos negócios e a um processo de consumo de estoque mais longo do que o esperado", disse o economista-chefe do HSBC para a China, Qu Hongbin.

"Isso acrescenta mais pressão ao mercado de trabalho e levou Pequim a acelerar o afrouxamento nas última semanas. As recentes medidas devem trabalhar para levar a uma melhora modesta a partir do quatro trimestre."

A China apresentou uma série de medidas na semana passada para ajudar a estabilizar o crescimento das exportações. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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