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FT: Lista de cias britânicas interessadas em emergentes é longa

Com prespectiva incerta para negócios, diversas empresas britânicas seguem com a estratégia de expansão

Daniela Milanese, da Agência Estado,

25 de março de 2009 | 16h26

Mesmo sabendo que os mercados emergentes não estão imunes à crise global, as companhias britânicas formam uma longa lista de interessados na expansão das atividades em países com maior potencial de crescimento, diz o Financial Times.

 

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Em revista especial publicada nesta quarta-feira, 25, sobre as perspectivas para os negócios nos emergentes, o FT avalia que as oportunidades, assim como os riscos, "são óbvias". O importante agora é fazer uma melhor distinção entre os países, com discernimento e não com base em "teorias abstratas". Nesse cenário, o Brasil aparece como uma das nações que podem ter melhor desempenho.

 

"Ninguém sofreu mais durante o crash global dos mercados em 2008 do que os emergentes", afirma o FT. Até o final de fevereiro, os índices de ações dos emergentes acumulavam queda de 63% em relação ao pico de 2007, conforme o indicador MSCI. Nenhuma região escapou, apesar de o leste europeu, com queda de 74,6%, ter sido a mais afetada.

 

O FT lembra que, conforme a recessão avança, a perspectiva para os negócios fica mais incerta. Mas, mesmo com a retração, o comércio não para. As indústrias continuam produzindo, os consumidores seguem comprando o que realmente precisam e a cadeia de fornecimento se mantém.

 

Com essa perspectiva, diversas empresas britânicas seguem com a estratégia de expansão. Uma delas é a varejista especializada em artigos para bebês Mothercare, que hoje possui 600 lojas, ou 60% do total, fora do Reino Unido, em regiões como Oriente Médio, Rússia e leste europeu.

 

O presidente da empresa, Ben Gordon, diz que a abertura de novas unidades vai continuar, já que vem permitindo crescimento anual de 50% nas vendas nos emergentes. Ele parte da visão racional de que as características e necessidades dos bebês e gestantes são muito parecidas em todos os lugares.

 

O banco Standard Chartered também conseguiu evitar os piores efeitos da recessão por sua estratégia de longo prazo baseada na Ásia. O presidente da instituição, Peter Sands, afirma ao FT que não tem intenção de mudar o seu posicionamento. "Estou muito confiante de que nossos mercados se sairão melhor."

 

Outra empresa com planos de crescimento baseados nos emergentes é a rede de supermercados Tesco, que recentemente anunciou uma joint venture com o grupo Tata, da Índia.

 

O FT alerta, no entanto, que o sucesso nos países em desenvolvimento não é garantido, como mostra o caso da Marks & Spencer. A varejista britânica julgou incorretamente a demanda por um certo tamanho de roupas na China, pois avaliou que a procura seria parecida com a de Hong Kong. Essa falha "estragou" o lançamento da primeira loja da empresa no país, conforme as palavras do seu presidente, Stuart Rose.

 

Além da questão das características de cada região, o desempenho em meio à crise também é outro importante fator a ser observado na decisão de fazer negócios nos emergentes. "Agora há óbvias distinções a serem feitas entre as diferentes regiões", afirma o FT. "Os países que parecem mais saudáveis, de maneira desconcertante, são aqueles com economias mais fechadas."

 

Para o jornal, o Brasil, cujas exportações respondem por 12% do PIB, pode ter uma chance maior de crescimento do que países como o México, Coreia e Taiwan. "Enquanto as preocupações sobre a recessão global se espalham pelo mundo, o Brasil continua como um dos poucos países que oferecem perspectivas de crescimento para os próximos anos", diz a publicação.

 

Apesar da perspectiva de poucos negócios neste primeiro semestre, os investidores deverão procurar oportunidades em setores importantes, como papel e celulose, serviços e agricultura, principalmente no complexo da soja. Um ponto que favorece é a recente desvalorização do real, que deixou os ativos mais baratos. Entre os problemas para estabelecer operações no Brasil, o FT aponta a corrupção e a burocracia.

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