Marco Bello/Reuters
Marco Bello/Reuters

‘Fuga’ de empregados de estatal é causa de cortes, diz embaixada

Oficialmente, empresa relaciona cortes com alta incidência de chuvas e contato das linhas de transmissão com árvores

André Borges, O Estado de S. Paulo

24 de março de 2019 | 05h00

BRASÍLIA - Árvores altas, chuvas e trovões. São essas as causas recorrentes que a Venezuela costuma apontar para justificar oficialmente a sucessão de apagões vividos em Roraima. Os “contatos da linha de transmissão com a vegetação e as descargas atmosféricas”, segundo a Corpoelec, estariam derrubando a rede, deixando Roraima no escuro. 

As informações que a Embaixada do Brasil em Caracas enviou ao Ministério de Relações Exteriores, em novembro do ano passado, apontam que outros fatores podem estar por trás dos apagões, com o abandono de emprego por milhares de funcionários da estatal. “A situação do sistema elétrico na Venezuela é periclitante devido, principalmente, à péssima administração da estatal e à falta de investimentos e manutenção dos equipamentos”, declara a embaixada, acrescentando que “os problemas com a evasão da mão de obra apenas contribuem para o agravamento do quadro”.

A situação crítica da Corpoelec é detalhada pelas informações que a embaixada brasileira obteve com a Federação Nacional de Trabalhadores de Eletricidade (Fetraelec) da Venezuela. O órgão calcula que 20 mil empregados da estatal venezuelana teriam abandonado-a nos últimos dois anos. “O número de funcionários experientes e qualificados que deixaram o trabalho, nesse período, corresponde à metade do total de funcionários da estatal.”

As informações são de que a estatal teria saído, desde agosto do ano passado, das negociações do contrato coletivo com os funcionários. “Os salários pagos neste país são baixíssimos e a isso se somaria o não cumprimento de obrigações trabalhistas”, afirma a Fetraelec à embaixada brasileira.

Fim do acordo. O Ministério de Relações Exteriores informou estar atuando para que Corpoelec e Eletronorte mantenham o diálogo. Ao Estado, o Ministério de Minas e Energia afirmou que rompeu com o suprimento pela Venezuela e, há duas semanas, Roraima passou a ser atendida pela geração térmica brasileira. “Desde o início de março, quando foi interrompido o suprimento pela Venezuela, o sistema Boa Vista tem sido totalmente atendido pela geração térmica local”, afirmou. O MME tem acompanhado a execução do Plano Emergencial e não foram registrados novos blecautes desde o dia 8 deste mês.” 

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