Fuja do comodismo para vencer na carreira

Superar a acomodação e buscar desafios evitam a estagnação no trajeto profissional

EDILAINE FELIX, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2013 | 02h08

O gerente de transição de carreira da consultoria Thomas Case & Associados, Eduardo Bahi, de 48 anos, está na empresa há 14 anos e sabe que motivação é essencial para o trajeto profissional de um consultor.

Ele vivia em uma fase confortável na empresa, desenvolvendo os mesmos processos e tocando os seus projetos. Mas houve um momento de mudanças na companhia, quando houve o reposicionamento da marca no mercado, que Bahi percebeu estar na hora de dar uma guinada em sua carreira e sair da acomodação.

"Eu queria melhorar a minha performance e, com a chegada de uma metodologia diferente de trabalho e novos consultores, vi que era preciso sair do comodismo e me abrir para o novo." O diretor da consultoria percebeu que Bahi estava entrando nessa estado, mas que era talentoso e que poderia melhorar seu desempenho, conversou com ele sobre as mudanças a serem implantadas. E o consultor acabou por assumir o compromisso de conhecer e aprender com a novidades que viriam a ser implantadas.

"Fiquei entusiasmado e quis conhecer, sair do comodismo para uma situação de aprendizado. Estava na hora de olhar para frente", revela.

Bahi diz que não teve problemas de convivência com os novos consultores e métodos e que logo começou a questionar e a pedir projetos. Assim, conseguiu novos desafios.

Hoje, ele acredita que os processos e a metodologia da empresa são fatores que levam um profissional a entrar na zona de conforto. No entanto, alerta que o trabalhador também tem responsabilidade pela situação e precisa criar alternativas para não se acomodar.

"A ameaça existe e faz o profissional se mexer. No meu caso, decidi conhecer os processos e achar novos caminhos para continuar um trabalho que me fazia feliz. E o resultado foi que melhorei em 100% a entrega de resultados", relata.

O responsável por essa virada na carreira de Bahi foi o diretor geral da própria Thomas Case, Norberto Chadad.

Caminhos. "Quando percebi que havia profissionais acomodados na minha equipe e, mesmo depois de promover cursos, palestras e treinamentos a situação não mudava, decidi mesclar a equipe, trazer novos profissionais e uma nova metodologia para modernizar a companhia", conta Chadad.

Ele defende que cabe à empresa mostrar os caminhos para que a dificuldade vire uma oportunidade. Antes de fazer aquele movimento - novos contratados e metodologia - conversou individualmente com os cinco profissionais que se encontravam acomodados. "Disse-lhes o quanto acreditava no potencial deles, informei sobre os novos colegas e as novas ferramentas de trabalho e perguntei se queriam experimentar: 90% aceitaram o desafio." O diretor da consultoria acredita que a zona de comodismo existe "porque a empresa permite".

Por sua vez, a gerente da Fit RH Consulting, Andréia Campos, acredita que, embora a empresa possa reverter o cenário, o profissional deve ter as rédeas de sua carreira, percebendo o quanto a apatia o prejudica e também ao grupo. Mas, ela acredita que o setor de recursos humanos tem responsabilidades com esse profissional e deve tomar atitudes para motivá-lo (ver quadro abaixo).

Para Thirza Sifuentes, coach da consultoria Homero Reis, a organização deve oferecer um plano sólido de carreira e, no dia a dia, deixar claro para o colaborador quais são as suas incumbências e desafios. "O trabalhador precisa conhecer suas responsabilidades para não achar que está esquecido pela empresa, sem possibilidade de inovação", diz.

Segundo a coach, somente acompanhando o desenvolvimento do profissional a corporação poderá identificar se o funcionário está perdido ou desestimulado.

Aprendiz. A sócia-diretora da FM Consultores, Fátima Motta, diz que ter profissionais na zona de conforto ou acomodados pode afetar negativamente os processos criativos na da empresa, que fica carente de novas ideias. A situação também é capaz de causar desconforto no relacionamento entre os colegas e gerar dúvidas em relação à gestão e à liderança na companhia.

Fátima aconselha o profissional que quer deixar a zona de conforto a se colocar em uma postura de constante aprendiz. "O profissional pode aprender nas mais diversas situações ou passar a vida criticando o aprendizado", relata.

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