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Fukuyama critica intervencionismo exagerado

Defensor de um Estado eficiente, que não necessariamente precisa ser mínimo, Fukuyama diz que não é um liberal radical

Ricardo Leopoldo, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2013 | 02h16

Francis Fukuyama, pesquisador do Instituto Freeman Spogli de Estudos Internacionais da Universidade de Stanford, afirmou que não basta o governo federal dizer que quer o aumento dos investimentos privados em concessões públicas em infraestrutura. "É necessário que seja ele o agente indutor que vai levar os grupos de interesses, no setor privado e no Congresso, a defender com vigor esta postura", destacou. Ele ponderou que "é correta" a estratégia do Poder Executivo de buscar a ampliação dos investimentos com maior participação de empresas particulares.

Defensor de um Estado eficiente, que não necessariamente precisa ser mínimo, Fukuyama diz que não é um liberal radical. "Cada país tem suas nuances sobre as dimensões do governo", destacou, ressaltando que é impossível que o Brasil, com "sua economia grande", abdique completamente da atuação do governo. Ele se mostrou simpático ao modelo escandinavo de Estado, que tem uma máquina administrativa que funciona bem e consegue prover aos cidadãos serviços de boa qualidade.

"No Brasil, são necessárias regras claras, bem definidas. As agências reguladoras precisam atuar com grande liberdade, pois isso vai viabilizar o imenso potencial de investimentos deste País", afirmou, depois de participar de um seminário promovido pela consultoria Tendências.

Carga tributária. Para o acadêmico, o peso excessivo da carga tributária no Brasil, além de coibir os investimentos das empresas, deixa claro que há desperdícios de recursos oficiais em diversos setores. E isso, segundo ele, é fácil de identificar, pois boa parte da população não tem acesso a serviços públicos de alto nível, como ocorre na Educação e Saúde.

Fukuyama, contudo, aponta que há excessivas intervenções do governo no funcionamento das companhias que atuam no País. Ele destacou o caso da Petrobrás, que, apesar de ter um corpo técnico e administrativo muito capacitado, com acionistas minoritários, precisa pedir autorização a ministros para que seja aprovada sua política de preços.

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