Clayton de Souza/Estadão
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Funcef tem déficit de R$ 2 bi até novembro

Fundo vai registrar terceiro ano seguido de perdas; rombo acumulado chega a R$ 5 bilhões

JOSETTE GOULART, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2015 | 02h04

O fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal (Funcef) vai fechar pelo terceiro ano consecutivo com déficit. Até novembro, segundo fontes próximas ao fundo, as contas estavam negativas entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões, o que deve levar a um rombo acumulado de R$ 5 bilhões. Desta vez, aposentados e pensionistas da Caixa poderão sentir no bolso as perdas do fundo.

Pelas regras da previdência, ao registrar déficit por três anos seguidos e que representem 10% de seu patrimônio é preciso recompor as perdas do período. As regras dizem ainda que o buraco tem de ser tapado metade com dinheiro dos aposentados e contribuintes e a outra metade com aportes do próprio banco, que é o patrocinador da fundação. Uma fonte próxima ao fundo diz que os números registrados do ano passado vão fazer com que a conta tenha de ser repassada neste ano.

A Funcef não fez nenhum comentário sobre a possibilidade de ter que apresentar um plano de recomposição, mas em nota confirmou que o ano de 2014 fechará com novo déficit. A contabilização final depende ainda dos números de dezembro. Em 2013, data de seu último balanço publicado, a fundação tinha cerca de R$ 55 bilhões sob sua administração.

O desempenho ruim no ano passado foi bastante influenciado pela queda dos preços das ações na bolsa de valores, mas esse não foi o único motivo. O fundo também teve de fazer novas contabilizações de perdas em renda fixa, em razão da alta dos juros, e também amargou perdas pelo mau desempenho das empresas em que a fundação é sócia. Um dos principais ativos, a companhia mineradora Vale, por exemplo, perdeu valor durante ano por causa das dificuldades provocadas pela queda dos preços do minério de ferro no mundo.

Algumas fontes também relatam que os investimentos do setor imobiliário, que tinham registrado ganhos substanciais em 2013, com mais de 20% de retorno, tiveram perdas no ano passado, por causa do desempenho fraco da economia.

As investigações na Petrobrás também estão preocupando alguns administradores do fundo. Além da Vale, duas das maiores participações da Funcef estão na Invepar, que possui 12 concessões, como o aeroporto de Guarulhos, e na Sete Brasil, do setor de petróleo.

A primeira tem como principal sócia a empresa OAS, que passa por dificuldades em consequência das investigações da operação Lava Jato. A construtora está com pendências financeiras e deixou de pagar mais de R$ 116 milhões em dívidas no início deste ano e deve vender sua participação na Invepar.

Já as dificuldades na Sete Brasil podem ser ainda maiores. A empresa é uma espécie de intermediária na construção de plataformas para a Petrobrás, mas a estatal se recusou a chancelar contratos no fim do ano passado, retardando a obtenção de financiamentos. Os sócios decidiram abrir uma investigação dentro da própria Sete.

Outra preocupação é com a taxa de juros do BNDES, que pode subir além de 5,5% neste ano e provocaria uma revisão em taxas de retorno. A fundação tem aplicações em outros ramos de infraestrutura, além da Invepar e Sete Brasil, como por exemplo a usina hidrelétrica de Belo Monte.

Banco. Se o déficit de 2014 levar a um plano de recomposição extraordinária, a Caixa terá de desembolsar sozinha cerca de R$ 2,5 bilhões. Normalmente, essa recomposição é paga por períodos longos, de até 12 anos, mas a instituição teria de fazer imediatamente a provisão destes pagamentos, o que atingiria diretamente seu balanço.

Isso poderia piorar seus números e atrapalhar o desempenho de uma possível abertura de capital do banco, segundo algumas fontes próximas à Caixa. A instituição não fez comentários.

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