Funcionamento de madrugada divide lojistas de shoppings

O clima estava mais para balada do que para vendas. Mas, pelo menos até por volta das 3 horas da madrugada deste sábado véspera do Natal, os lojistas que entraram na maratona dos nove shoppings de São Paulo e da região do ABC abertos por 32 horas ininterruptas (das 10 horas de sexta até as 18 horas de sábado) não tinham do que se queixar: o movimento era grande e muitas lojas estavam cheias. Depois desse horário, as bandas de música, grupos de animação e DJs, que se espalhavam pelos corredores, serviram mais para animar jovens a dançar e ouvir música do que para convencer consumidores a entrar nas lojas e comprar."Entre às 10 da noite e 2 horas da manhã, vendi o equivalente a quatro dias normais. Foi muito bom, mas não tanto como no ano passado", dizia a gerente do Boticário, do MorumbiShopping, Mara Ferreira. No Natal de 2004, lembrava, na primeira vez que os shoppings Morumbi e Anália Franco ficaram abertos na madrugada que antecede o Natal, o movimento foi muito maior. "Era novidade e veio gente até de Alphaville e Tamboré. Este ano, o pessoal é da região e as vendas estão quase iguais às do ano passado."Para o proprietário da rede de calçados masculinos Fascar, Rafael Borges de Souza Junior, o quadro era mais desanimador. Pela manhã, ele calculava que havia vendido em seis lojas de shopping na madrugada o mesmo volume que em duas lojas no mesmo período em 2004. "No Eldorado, entre 1h30 e 9 horas, fechei apenas uma venda. No Morumbi, o movimento também foi menor", lamentava.No shopping Ibirapuera , a gerente Rosemary de Oliveira Batista, da Meia de Seda, colocou várias peças em promoção para atrair clientes e conseguiu vender bem até as 3 horas. "Os consumidores estão se acostumando ainda com a idéia de fazer compras de madrugada. Quando os shoppings começaram a abrir aos domingos ficavam vazios. Hoje, o domingo é o segundo melhor dia de vendas para os lojistas. A idéia de abrir à noite é parecida."Os lojistas aderiram à chamada "Operação 32 horas" com a expectativa de faturar no período o equivalente a até um dia a mais de vendas. Mas, durante a madrugada, muitos duvidavam que as vendas chegariam a tanto. O MorumbiShopping, às 3 horas da manhã, estava lotado. Mas na Colcci, loja de moda jovem, o gerente Edinho Ramalho, que contratou um DJ para atrair consumidores durante a maior parte da noite, estava dividido com o resultado das vendas. "Em alguns momentos, tive 70 pessoas aqui na loja. Mas muitos entravam para dançar, dar uma circulada e saíam. Era um turismo", queixava-se. Mesmo assim, ele previa fechar o mês com um crescimento de 50% em relação a novembro.Na MMartan, de produtos de cama, mesa e banho, o movimento de compras durou até as 2 horas. Depois, a loja esvaziou. "Este ano, a concorrência com nove shoppings abertos é muito maior. No Natal anterior, quando só dois shoppings abriram de madrugada, até as 3 e meia tinha gente fazendo compras", dizia a gerente Andréia Petrochi. "O problema é que tem muito mais molecada do que consumidor. Virou uma balada e acho que nunca mais vamos ter um movimento bom como no ano passado", lamentava a gerente Maria Aparecida Rodrigues, da Inovathi, de bolsas e acessórios.Já na Levi´s, em cima de um banquinho, enquanto mudava o visual da loja, a proprietária Daniela Chiferi dançava e estava convicta de que a maratona noturna valia a pena. "Acredito que, entre a meia-noite e 5 horas, teremos o equivalente a um dia de vendas."No balanço da administração do Morumbi, no período das 10 da manhã às 4 horas da madrugada 174 mil pessoas haviam passado pelo shopping. No Anália Franco, no mesmo horário foi registrada a presença de 139 mil visitantes e, no shopping Eldorado, 126 mil.No Ibirapuera, o movimento despencou depois das quatro horas. Várias lojas fecharam as portas e poucas eram as pessoas que carregavam alguma sacola na mão. A retomada do movimento era esperada a partir das 10 horas. Na próxima semana, os shoppings ainda esperam um movimento bom pela troca de presentes, compras para festas de revéillon e férias.

Agencia Estado,

24 de dezembro de 2005 | 15h25

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