Marcos Arcoverde|Estadão
Marcos Arcoverde|Estadão

Funcionários da Cedae entram em greve

Trabalhadores são contrários à proposta do governador, que tramita na Alerj, de privatizar estatal como contrapartida à ajuda da União

Vinícius Neder, Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2017 | 21h14

RIO - Funcionários da Cedae, a estatal fluminense de água e esgoto, começaram nesta terça-feira, 7, uma greve contra a privatização da empresa. A medida é uma das contrapartidas do plano de recuperação fiscal firmado entre o Estado do Rio e a União. No início da tarde, também houve um protesto de servidores em frente à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Segundo o Sintsama-RJ, sindicato dos funcionários da Cedae, a greve vai até quinta-feira, 9, quando a Alerj começará a apreciar o projeto de lei que autoriza a privatização. O sindicato informou que cerca de 70% dos 5,8 mil funcionários pararam.

Flávio Guedes, presidente do Conselho Fiscal do Sintsama, disse que, com 30% dos empregados trabalhando, não há riscos de haver problemas no abastecimento de água. A assessoria de imprensa da Cedae informou que “não há paralisação nos serviços prestados pela companhia”.

Lembrando que a Cedae é lucrativa, Guedes atacou a privatização. “No mundo inteiro, a privatização de saneamento dá errado”, disse Guedes, que participou do protesto de ontem em frente à Alerj.

A autorização para privatizar a Cedae é o primeiro passo da tentativa do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) de aprovar o pacote de medidas de contrapartida ao plano de recuperação fiscal na Alerj, que inclui ainda a elevação da contribuição previdenciária dos servidores públicos e o congelamento de salários dos funcionários.

Como os salários já estão atrasados, a entrada da ajuda federal para regularizar os pagamentos é vista como condição para aprovar as medidas de ajuste. No dia seguinte à assinatura do termo de compromisso com o governo federal, o presidente da Alerj, Jorge Picciani (PMDB), disse ao Estado que uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) para antecipar os efeitos do plano seria essencial, porque o governo fluminense não teria fôlego financeiro para esperar a aprovação no Congresso.

Pezão vem trabalhando para recompor sua base na Alerj. Os deputados André Lazaroni e Pedro Fernandes, ambos do PMDB, foram indicados como secretários de Cultura e Ciência e Tecnologia, respectivamente . Mesmo assim, se depender dos servido, ainda haverá resistência.

O PSOL, que integra a oposição ao governo, entrou com um mandado de segurança para suspender a apreciação do projeto sobre a venda da Cedae, alegando que o processo deveria ser antecedido de audiências públicas nos municípios onde a Cedae atua.

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