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Funcionários da Comperj não voltam ao trabalho

Apesar de o sindicato dos trabalhadores ter decretado o fim da greve de 40 dias no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), funcionários não voltaram nesta quarta-feira, 12, ao trabalho. Houve confronto na entrada do empreendimento. Operários atiraram pedras e policiais militares do Batalhão de Choque revidaram com bombas de efeito moral.

SABRINA VALLE E IDIANA TOMAZELLI, Agencia Estado

12 de março de 2014 | 18h38

Cerca de 20 mil operários participaram de uma passeata de 10 quilômetros nas imediações do complexo, em Itaboraí, região metropolitana do Rio, segundo o comandante do 35º Batalhão da Polícia Militar (PM), tenente-coronel Fernando Salema.

Eles estão insatisfeitos com a negociação, ainda não concluída, de reajuste salarial conduzida pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil e Pesada, Montagem e Manutenção Industrial de São Gonçalo, Itaboraí e Região (Sinticom).

Parte dos trabalhadores também reclama não se sentir representada pelo sindicato. Consideram que o órgão tem posição patronal. A greve começou no início de fevereiro, inicialmente sem o respaldo do sindicato.

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 1ª Região considerou a greve abusiva há duas semanas e determinou a volta ao trabalho. Boa parte dos 29,2 mil operários do Comperj estão parados há cerca de 40 dias. Salema diz que entre 1 mil e 3 mil mantêm o serviço.

O conflito aconteceu por volta das 8h, em frente à entrada do complexo. Segundo o comandante, havia no local cerca de 10 mil manifestantes e 50 homens do 35º e do 12º Batalhões e do Choque. Os policiais guardavam a entrada do empreendimento. "Eles estavam muito exaltados e havia risco de depredação. Tivemos que reagir com bombas de efeito moral", disse.

Salema disse que, por força contratual, operários não podem entrar a pé, e sim nos ônibus oferecidos pelas construtoras responsáveis pelo empreendimento.

O comandante relatou que operários quebraram placas durante a caminhada, atearam fogo em mato, lançaram pedras os policiais e quebraram vidros do carro de som que organizava o movimento.

"O entendimento (para voltar ao trabalho) deixou de ser conosco. Agora, é por parte das empresas e da Petrobras", afirmou o presidente do Sinticom, Manoel Vaz. O sindicato que representa as empresas, Sindemon, não comentou.

A Petrobras também não se pronunciou ou disse se haverá atraso de cronograma. A primeira unidade de refino está prevista para ser inaugurada em 2015.

A proposta do sindicato era encerrar a greve e manter as negociações. A categoria quer reajuste salarial de 11,5% e elevação do vale alimentação para R$ 450. As empresas oferecem aumento de 7%, enquanto o Ministério Público do Trabalho, em uma reunião de conciliação, tentou elaborar proposta de 9%. Ambas são rejeitadas pelo sindicato.

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