Wilton Junior|Estadão
Wilton Junior|Estadão

Funcionários da Eletrobrás mobilizam-se contra privatização da empresa no Rio de Janeiro

Encontro reuniu associações, políticos e funcionários da estatal no Clube de Engenharia, no Centro da cidade, mas não chegou a lotar o auditório da entidade

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2017 | 19h25

Mesmo antes da definição do modelo, a privatização da Eletrobrás já começa a mobilizar seus empregados, que se reuniram nesta quinta-feira, 21, pela primeira vez, no Rio de Janeiro, contra a venda dando continuidade a um movimento iniciado em Pernambuco pelos empregados da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), uma das subsidiárias da estatal.

Reunindo associações, políticos e funcionários da estatal no Clube de Engenharia, no Centro do Rio, o encontro não chegou a lotar o auditório da entidade por conta do horário - meio da tarde - mas teve por objetivo dar a partida no movimento contra a venda da empresa. No dia 3 de outubro, a manifestação será por todo o dia na porta da Eletrobrás.

Maior empresa de geração de energia elétrica brasileira, com quase um terço do total da capacidade instalada do País, a Eletrobrás tem cerca de 20 mil funcionários espalhados pelo Brasil e teve uma pequena parte da sua operação privatizada na década de 1990, na região Sul. Agora, o governo anunciou que pretende deixar de controlar a empresa e tende a fazer isso por meio da pulverização das ações na bolsa de valores.

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Para o ex-presidente da estatal e atual diretor de Relações Institucionais da Coppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa, presente no evento, a mobilização dos funcionários é fundamental para tentar evitar a privatização. "A perspectiva é a pior possível e não houve ineficiência de todo sistema que justifique uma privatização", afirmou. "Temos que esclarecer a população sobre o absurdo que está sendo cometido."

A Eletrobrás teve lucro de R$ 3,4 bilhões em 2016 e mantém o balanço positivo este ano. A empresa prevê investimentos de R$ 35,8 bilhões entre até 2021. Ao todo, são 16 subsidiárias sob o chapéu Eletrobrás. O processo de venda de algumas distribuidoras deficitárias já foi iniciado e a tendência é que ativos nucleares e a hidrelétrica Itaipu Binacional fiquem fora do negócio.

Estiveram também no evento representantes da Associação dos Empregados da Eletrobras (Aeel); Sindicato dos Empregados das Empresas de Energia do Rio de Janeiro e Região (Sintergia); Sindicato dos Administradores do Estado do Rio de Janeiro (Sinaerj); Sindicato dos Engenhieros do Estado do Rio (Senge-RJ); e Sindicato dos Economistas do Rio de Janeiro (Sindecon); além da presidência do Clube de Engenharia.

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