Marcos de Paula/ Estadão
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Funcionários da Eletrobrás vão entrar com ação contra venda da Amazonas Energia

Segundo associação de empregados da estatal, processo acontece mesmo com adiamento do leilão; venda foi adiada para 27 de novembro depois da estatal não conseguir fechar acordo com a Petrobrás, principal credora

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2018 | 17h56

RIO - O diretor da Associação de Empregados da Eletrobrás (Aeel), Emanuel Mendes Torres, disse que mesmo com o adiamento do leilão da Amazonas Energia a entidade vai entrar com uma ação contra os dirigentes da Eletrobrás, pelo fato de tentarem vender a empresa por R$ 50 mil, enquanto a Eletrobrás terá que assumir dívidas entre R$ 8,9 bilhões e R$ 11,8 bilhões.

A Amazonas Energia iria a leilão na próxima quinta-feira, 25, mas a venda foi adiada para 27 de novembro depois da estatal não conseguir fechar acordo com a Petrobrás, com quem negocia desde o início do ano dívida de mais de R$ 3 bilhões referente a fornecimento de gás natural para as térmicas da distribuidora regional.

Segundo Torres, mesmo com o adiamento do leilão, o advogado Claudio Souza Neto está preparando a ação, mas não deu detalhes. Ele disse considerar impossível que a Amazonas Energia seja liquidada, mesmo que não se realize o leilão este ano, pelo estrago que faria na região, principalmente com a demissão dos cerca de 1,5 mil empregados da companhia.

"Eu acho impossível liquidar e deixar os funcionários à deriva, seriam todos demitidos. Na prática ninguém nunca fez isso e não acho que isso vá ocorrer", disse Torres ao Broadcast. "Se isso acontecer (liquidação) será pior para a Eletrobras, que ficará com todas as dívidas da empresa", explicou.

Para ele, o adiamento do leilão dará mais tempo aos sindicalistas para lutarem contra a venda, que para ele, se chegar a ser realizado será bem sucedido. "Se eles estão mantendo o leilão, é porque já tem uma empresa interessada conversando com eles", avaliou.

No mercado, especula-se que a empresa interessada seria a Equatorial Energia, que já é dona da distribuidora do Maranhão (Cemar), do Pará (Celpa) e agora do Piauí (Cepisa), arrematada em leilão em julho deste ano.

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