Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Funcionários da Vale fazem paralisação por pagamento de PLR

Pagamento normalmente acontece até 1º de março, mas a mineradora já informou aos trabalhadores que não fará o repasse

Leonardo Augusto, Especial para O Estado

23 Fevereiro 2016 | 15h25

Funcionários da Vale em Minas Gerais fazem hoje (23) paralisação pelo pagamento da Participação dos Lucros e Resultados da empresa relativo ao ano de 2015. O movimento atinge unidades da mineradora na Grande Belo Horizonte. Normalmente, o pagamento do benefício é feito até 1º de março. Porém, a mineradora já informou aos trabalhadores que não fará o repasse, conforme o presidente do Sindicato Metabase de BH e Região, Sebastião Alves de Oliveira. Cerca de 5 mil empregados participam da paralisação, conforme a entidade.

Em nota, a Vale afirma estar ocorrendo bloqueio de portarias de diversas unidades operacionais da companhia, localizadas nos municípios de Nova Lima e Itabirito. "A Vale, desde o início dos movimentos, vem mantendo negociação com o sindicato para a liberação das portarias. Os referidos bloqueios impedem a entrada e saída de empregados".

Na semana passada, o presidente do Sindicato Metabase de Itabira e Região, Paulo Soares de Souza, afirmou que seria uma "loucura" o não pagamento da participação nos resultados. Para o representante dos funcionários da empresa, o impacto da falta do benefícios para os empregados da empresa seria "o mesmo que o trabalhador deixasse de receber um mês de salário".

Segundo o sindicato da categoria no município, a produção da Vale em Itabira, onde está parte das maiores minas da companhia no Estado, ficou acima da meta estabelecida pela mineradora em 2015. O previsto era de 33,5 milhões de toneladas. O resultado, porém, foi de 36,5 milhões de toneladas. Ainda conforme dados da entidade, das 88,2 milhões de toneladas de minério de ferro produzidas pela empresa no terceiro trimestre de 2015, 10 milhões de toneladas saíram das minas de Itabira. A paralisação de hoje não atinge a unidade da empresa no município.

A Vale é uma das controladoras da Samarco, cuja barragem rompeu em 5 de novembro em Mariana (MG, matando 17 pessoas e deixando duas desaparecidas. A outra controladora da Samarco é a BHP Billiton. Ambas vêm sendo incluídas em ações que pedem o pagamento de ressarcimento por danos causados pela barragem que ruiu. Segundo a nota divulgada pela Vale, "de acordo com os critérios fixados no Acordo de PLR, seu pagamento não é devido. Cabe ressaltar que esses critérios estabelecidos no acordo de PLR foram aprovados pelos sindicatos e pelos empregados em assembleias conduzidas por esses sindicatos".

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