Funcionários da Varig aceitam corte e redução salarial

Os trabalhadores da Varig assinaram nesta quinta, 13, protocolo de entendimento concordando com o corte de pessoal e redução salarial de 30%, conforme o plano emergencial da consultoria americana Alvarez&Marsal. O quadro da empresa deverá cair de 9,8 mil funcionários ativos para 6,9 mil - um corte de 2,9 mil vagas. A decisão foi considerada "histórica" por lideranças sindicais. "Os trabalhadores não vão impedir que a empresa tenha o tamanho adequado à sua operação atual, desde que seja dentro das regras trabalhistas", afirmou o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), Gelson Fochesato. Presidente da Associação de Pilotos da Varig (Apvar) de 1991 a 2001, ele afirmou que nunca havia sido feito um acordo deste tipo. Desde o ano passado, o peso da companhia no mercado regrediu. A Varig voa hoje com 54 dos 71 aviões da frota e ocupa 19% do mercado doméstico e 70% dos vôos internacionais feitos por empresas nacionais. Com o enxugamento, a relação empregados por avião, de 182, cairá para algo próximo de 120. Acordo O acordo foi definido na sede da empresa, em reunião que envolveu a direção da companhia, consultores, o administrador judicial e entidades sindicais. As demissões serão precedidas da abertura de planos de demissão voluntária e aposentadoria incentivada, a partir de segunda-feira. "É duro dizer. Ou fecha a Varig ou se salva com menos emprego, tendo a possibilidade de lá na frente crescer", disse a presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino. Segundo ela, os administradores judiciais na empresa alertaram para o risco de falência, caso todos os envolvidos no processo não façam um esforço. "Assinamos e dissemos que não vai ser por isso que a Varig vai parar", afirmou Selma. A representante explicou que a reunião foi sugerida pela 8.ª Vara Empresarial, onde corre o processo de recuperação judicial da companhia, durante encontro na noite de ontem, que reuniu os envolvidos no assunto. O objetivo do encontro era indicar a necessidade de entendimento em favor da recuperação e evitar tumultos no processo. Bloqueio Ontem, a Justiça do Trabalho determinou, em medida liminar, o bloqueio de bens em favor dos trabalhadores. A decisão está sendo considerada provisória. Hoje, a Varig informou que prepara ações legais para proteger os interesses dos funcionários no Aerus. A empresa reiterou, em nota, repúdio às "afirmações de que, em algum momento, tenha pretendido disponibilizar os recursos do Instituto Aerus para solucionar quaisquer problemas de caixa". O TGV (Trabalhadores do Grupo Varig) vai apresentar recurso administrativo à Secretaria de Previdência Complementar (SPC) na segunda-feira e depois pode recorrer judicialmente contra a intervenção no Aerus. Segundo o coordenador do TGV, Marcelo Marsillac, o recurso visa a impedir que a intervenção no Aerus atrapalhe o plano de reestruturação judicial. Segundo ele, os trabalhadores se propunham a abrir mão de parte do que tinham depositado no fundo em benefício da empresa.

Agencia Estado,

13 Abril 2006 | 20h39

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